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Tradição em choque: fraternidade consagra quatro bispos sem aval do Papa Leão XIV

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A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) realizou nesta quarta-feira, 1.º de julho de 2026, a consagração de quatro novos bispos em Écône, na Suíça, sem o mandato obrigatório do Papa Leão XIV. O ato reabre feridas históricas dentro da Igreja Católica e pode culminar na declaração formal de um novo cisma.

Quem foi ordenado

Receberam a ordenação episcopal, sem autorização da Santa Sé, os sacerdotes Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. A cerimônia ocorreu no mesmo local e na mesma data em que, há 38 anos, o fundador da FSSPX, arcebispo Marcel Lefebvre, protagonizou ruptura semelhante.

Sanções previstas

Conforme o Código de Direito Canônico, a consagração episcopal sem bula pontifícia acarreta excomunhão automática (latae sententiae) tanto para quem confere quanto para quem recebe a ordem sagrada. Ao todo, seis bispos ― os quatro recém-consagrados e os dois prelados que realizaram o rito ― estão sujeitos à pena máxima, que os exclui da plena comunhão com Roma.

Justificativa da fraternidade

O superior geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani, alegou “estado de necessidade” para defender a desobediência. Segundo ele, desde o Concílio Vaticano II as autoridades da Igreja se afastam da tradição, o que obrigaria a fraternidade a garantir a continuidade da fé católica convencional e a assistência espiritual aos seus fiéis.

Impacto sobre os leigos

Especialistas em direito canônico esclarecem que a excomunhão só atinge fiéis leigos se houver adesão consciente e formal ao ato considerado cismático. A simples participação em cerimônias da FSSPX não implica punição automática, embora o Vaticano classifique a situação como gravíssima.

Próximos passos do Vaticano

A Santa Sé estuda a emissão de um decreto que reconheça formalmente o cisma. Caso o documento seja publicado, os cerca de 600 mil membros da fraternidade poderão perder privilégios concedidos nos últimos anos, como a faculdade de ouvir confissões e celebrar casamentos válidos na Igreja. No segundo ano de seu pontificado, o Papa Leão XIV terá de administrar a mais séria divisão interna desde o episódio de 1988.

Com informações de Gazeta do Povo