Havana — O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou neste domingo (22) que as Forças Armadas Revolucionárias da ilha estão em preparação para uma eventual ação militar dos Estados Unidos.
Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, o diplomata declarou que “nossas forças armadas sempre estão preparadas e, de fato, nestes dias estão se preparando para a possibilidade de uma agressão militar”. Segundo ele, o governo considera a hipótese improvável, mas seria “ingênuo” não adotar medidas defensivas.
Tensão após captura de Maduro
O clima entre Washington e Havana se deteriorou depois da prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. Na ocasião, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, sugeriram que Cuba poderia ser o próximo alvo de intervenção. “Se eu vivesse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado”, disse Rubio na época.
Na semana passada, Trump voltou a ameaçar: afirmou que seria “uma honra tomar a ilha caribenha e fazer com ela o que quisesse”. Reportagem do The New York Times, publicada em 16 de março, revelou que a Casa Branca condiciona qualquer negociação bilateral à saída do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Crise de combustível e apagões
Em janeiro, Trump assinou ordem executiva impondo tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba. A restrição agravou a escassez de combustível, provocando três blecautes nacionais somente em março; o mais recente, no sábado (21), deixou mais de 10 milhões de cubanos sem eletricidade.
“Os EUA estão ameaçando com medidas coercitivas os países que exportem combustível para Cuba; por isso não recebemos carregamentos há muito tempo”, declarou Fernández de Cossío. Ele disse que Havana “age de forma proativa” para superar o bloqueio e espera a retomada do abastecimento “de uma forma ou de outra”.
Disposição para diálogo
O vice-chanceler ressaltou que Cuba não representa ameaça a Washington e está aberta a conversas. “Temos o direito de nos proteger, mas estamos dispostos a sentar, dialogar, fazer negócios e manter uma relação respeitosa que, tenho certeza, a maioria dos americanos apoiaria”, concluiu.
Com informações de Gazeta do Povo