Roma (Itália) – A ex-deputada federal Carla Zambelli estuda desistir do recurso apresentado à Suprema Corte de Cassação da Itália e aceitar a extradição para o Brasil, segundo o advogado Fabio Pagnozzi. A possibilidade foi discutida entre o defensor e o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, marido da parlamentar cassada, em conversa realizada na última quinta-feira (26).
Pagnozzi relatou à CNN Brasil, nesta sexta-feira (27), que Oliveira pretende convencer Zambelli de que o retorno imediato ao país facilitaria o convívio familiar e abreviaria o tempo de prisão preventiva no exterior. A ex-deputada já acumula cerca de oito meses detida na Itália, período que conta para o total da pena.
Condenação e pedido de extradição
Zambelli foi sentenciada a dez anos de reclusão por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, após supostamente financiar o ataque aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) executado por Walter Delgatti Neto, conhecido como “hacker de Araraquara”.
No dia 26, a Quarta Seção Penal da Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição solicitada pelo governo brasileiro. Os juízes Flávio Monteleone, Aldo Morgigni e Fabrizio Suriano concluíram que os delitos atribuídos à ex-parlamentar têm equivalência jurídica em território italiano e descartaram motivação política ou parcialidade do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no processo.
Dupla cidadania não impede extradição
Os magistrados também reforçaram que a cidadania italiana de Zambelli não impede sua entrega ao Brasil. Ao contrário, segundo o acórdão, o vínculo jurídico com o Estado requerente legitima o pedido para que ela cumpra a sentença no país de origem.
Se desistir do recurso, a ex-deputada poderá ser transferida assim que os trâmites administrativos forem concluídos. Caso mantenha a apelação, o julgamento na Suprema Corte italiana pode prolongar a detenção na Europa por mais seis meses a um ano.
Com informações de Gazeta do Povo