A Polícia Federal (PF) apresentou seu primeiro pedido de indiciamento relacionado ao Banco Master, que não inclui políticos ou autoridades vinculadas aos três Poderes. A investigação, que está em andamento e deve ganhar novos relatórios em novembro, não deve afetar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, direta ou indiretamente, foram associados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master.
Os ministros do STF não podem ser indiciados pela PF devido às prerrogativas de seus cargos e à interpretação sobre a atuação da instituição em relação aos membros da Corte. Assim, as atividades dos magistrados não foram investigadas, e eventuais apurações precisariam ser autorizadas pelo próprio STF.
O relatório inicial, apresentado ao STF na última quarta-feira (28), quase um ano após a primeira fase da Operação Compliance Zero, solicita o indiciamento de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, do ex-sócio Augusto Lima e de mais 12 pessoas. A investigação gira em torno das vendas de carteiras de crédito do Master ao BRB, um aspecto central do caso ainda em desenvolvimento.
A PF classifica Vorcaro como líder de uma organização criminosa, acusando-o de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro. Sua defesa nega as acusações, assim como a do ex-presidente do BRB, que é considerado um agente-chave nas articulações envolvendo o banco.
Com um documento de quase 700 páginas, a PF pede mais 60 dias para concluir diligências e aprofundar a análise de documentos e dados financeiros. Espera-se que um segundo relatório seja divulgado no início de novembro, ampliando a investigação para incluir uma rede de suporte aos supostos crimes relacionados ao Master, com possíveis desdobramentos até 2027.
Entre as revelações, surgiram questionamentos sobre vínculos de Vorcaro com seis ministros do STF. Mensagens e documentos levantaram suspeitas sobre relações pessoais e profissionais, embora nenhum dos magistrados esteja sendo investigado diretamente. O foco recai sobre Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli.
O caso Master estava praticamente estagnado desde julho, até o recente indiciamento. A PF ainda precisa examinar um grande volume de documentos e contratos, além de investigar outras quatro linhas de apuração que envolvem corrupção e a possível participação de agentes públicos nas operações.
A investigação começou com a negociação de carteiras de crédito entre o Master e o BRB, onde estima-se que R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos sem comprovação de existência. A PF sustenta que essas operações permitiram ao Master obter recursos do BRB com ativos fictícios.
As investigações continuam, e a PF pretende consolidar análises bancárias e fiscais, além de mapear o envolvimento de outras pessoas nas operações que culminaram nas fraudes.
Fonte: Gazeta Do Povo.









