O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem utilizado o WhatsApp para disparar milhões de mensagens com o intuito de divulgar programas sociais e ações da administração federal. As comunicações são enviadas através do número oficial do GovBR e, segundo informações da CNN Brasil, começaram no início de 2026.
Os envios de mensagens continuaram mesmo durante o período de defeso eleitoral, que se iniciou em 4 de julho e vai até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Durante esse intervalo, as regras eleitorais impõem restrições à publicidade institucional.
Embora o número total de mensagens enviadas não seja público, estima-se que, com 175 milhões de usuários cadastrados no portal Gov.BR, se apenas 10% deles receberem as comunicações, isso resultaria em 17,5 milhões de mensagens.
As mensagens abordam diversos programas, como Bolsa Família, Gás do Povo, Luz do Povo e Celular Seguro, além de campanhas de vacinação e lembretes para beneficiários. Um exemplo relatado pelo portal Poder360 envolveu uma beneficiária do Bolsa Família que foi informada sobre a inclusão de sua família no programa Gás do Povo e, posteriormente, sobre descontos na conta de energia pelo Luz do Povo.
Com base em estimativas, se 30% dos 43,4 milhões de inscritos no Cadastro Único forem contatados, isso poderia resultar em 26 milhões de mensagens mensais. É importante ressaltar que as famílias podem receber múltiplos benefícios, o que dificulta a soma precisa dos números.
Os custos associados a esses disparos podem variar. De acordo com a tabela de preços do Serpro, mensagens de utilidade pública têm custo entre R$ 0,0477 e R$ 0,0636, enquanto mensagens classificadas como marketing podem custar R$ 0,5849. Se a estimativa de 17,5 milhões de envios for confirmada, o gasto mínimo seria de cerca de R$ 834,7 mil, podendo alcançar até R$ 10,24 milhões se todas as mensagens forem tratadas como marketing.
A legislação eleitoral impõe restrições à publicidade institucional nesse período, permitindo exceções apenas em casos de grave e urgente necessidade pública, com autorização prévia da Justiça Eleitoral. O governo ainda não divulgou a quantidade total de mensagens enviadas nem os critérios de classificação utilizados.
O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) protocolou um requerimento na Câmara dos Deputados solicitando informações ao Ministro da Secretaria de Comunicação Social sobre a legalidade dessas mensagens e o custo total da operação, além de questionar sobre a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Fonte: Revista Oeste.









