A precariedade do cessar-fogo firmado entre Teerã, Estados Unidos e Israel tem servido de gatilho para uma escalada de repressão a cristãos evangélicos no Irã, segundo organizações internacionais de direitos humanos. O governo iraniano acusa comunidades protestantes e convertidos de atuarem como agentes sionistas e ameaça à segurança nacional.
Regime foca igrejas protestantes
Enquanto mantém uma aparência de tolerância com templos armênios e assírios – que não aceitam convertidos nem realizam cultos em persa –, o Estado classifica igrejas evangélicas como “seitas” ligadas a Israel e aos EUA. A advogada iraniano-britânica Attieh Fard observa que as autoridades “já não temem a pressão internacional”, o que amplia o risco para fiéis com vínculos, reais ou presumidos, no exterior.
Casos recentes expõem endurecimento
• Junho de 2025: a Igreja Evangélica de Mashad, inaugurada nos anos 1930 e tombada como patrimônio nacional, foi demolida em duas horas por tratores oficiais.
• Teerã: forças de segurança ocuparam a Igreja Evangélica de São Pedro, identificaram moradores e anunciaram sua remoção. A Guarda Revolucionária já emitiu nova escritura em nome do Estado.
• Após os ataques de 2025, o Ministério da Inteligência prendeu mais de 50 evangélicos, acusando-os de atuar como mercenários do Mossad, relata a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF).
Convertidos: alvo principal
Embora a Constituição reconheça liberdade religiosa, o governo considera automaticamente muçulmano qualquer cidadão que não prove ascendência não muçulmana anterior a 1979, inviabilizando o registro oficial de novos cristãos. Relatórios da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e da USCIRF apontam:
• prisões arbitrárias, como a de três mulheres mantidas incomunicáveis por 40 dias em 2023;
• proibição de frequentar templos, forçando reuniões em igrejas domésticas classificadas como ilegais;
• processos por evangelização, a exemplo de um pastor condenado a seis anos por pregação fora de locais autorizados.
Padrão de violações documentado
A Anistia Internacional detalha julgamentos sem devido processo, confissões extraídas sob coação, tortura psicológica, vigilância digital de casas-igreja e campanhas midiáticas que apresentam evangélicos como infiltrados estrangeiros. A organização confirma que a repressão se intensificou no contexto da atual crise militar.
Conforme Acepressa, ACN, USCIRF e Anistia Internacional, o padrão inclui confisco de propriedades religiosas, detenções em massa, criminalização sistemática de convertidos e narrativa oficial que os descreve como ameaça à ordem estatal.
Com informações de Folha Gospel