A partir da primeira semana de fevereiro, clientes de bancos no Brasil podem transferir dívidas de crédito pessoal entre instituições em apenas cinco dias úteis. A agilidade faz parte da nova fase do Open Finance, anunciada em 22 de fevereiro de 2026. Apesar do avanço tecnológico, o alívio financeiro é limitado: as taxas para pessoas físicas superam 60% ao ano, o patamar mais elevado desde 2017, segundo o Banco Central.
O Open Finance amplia o modelo de dados abertos no sistema financeiro e devolve ao correntista o controle sobre seu histórico bancário. Com o consentimento do usuário, informações circulam entre instituições, permitindo que concorrentes apresentem propostas mais vantajosas para quem busca reduzir o custo da dívida.
Portabilidade passa de quase um mês para cinco dias
Antes da mudança, o processo convencional de portabilidade levava de 20 a 25 dias. Agora, a troca de dados deve ocorrer em até três dias úteis, seguida por um prazo adicional de três dias para que o banco original apresente contraproposta, configurando um “leilão reverso” em favor do cliente.
A funcionalidade foi lançada pela Associação Open Finance Brasil com 27 instituições pioneiras. O diretor de tecnologia e operações da entidade, Élcio Calefi, destacou que o desenho do serviço prioriza a experiência do consumidor, que passa a gerenciar todo o processo digitalmente.
Concorrência e dados em alta
Até o momento, 130 milhões de consentimentos já foram registrados na plataforma, e o volume semanal de chamadas de dados saltou de 3 bilhões para quase 10 bilhões. Para os bancos, a automação reduz custos de conformidade e erros operacionais, favorecendo as margens mesmo em cenário de juros elevados.
Próximos passos
O Banco Central prevê incluir empréstimos consignados federais (beneficiários do INSS) no sistema a partir de novembro deste ano. Já a portabilidade para consignado privado está programada para 2027.
Em dezembro, o diretor de regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou que a simplificação na troca de informações “remove barreiras artificiais” e estimula a competição real entre instituições financeiras.
Com informações de Gazeta do Povo