Brasília — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o atual plano de demissões dos Correios não atingiu o resultado esperado e que a estatal precisará lançar um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) como parte de uma reestruturação mais ampla. A declaração foi feita em entrevista exibida na noite de quarta-feira (1º) pela GloboNews.
Segundo Durigan, apenas 2,4 mil empregados aderiram ao PDV aberto neste ano, número distante da meta de 10 mil desligamentos em 2026 e outros 5 mil em 2027, projetados para economizar cerca de R$ 2,1 bilhões por ano. O prazo de adesão, inicialmente encerrado em março, foi prorrogado até 7 de abril.
Pressão por resultados após empréstimo de R$ 12 bilhões
Para sustentar o processo de recuperação, o governo viabilizou um empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios, garantido pelo Tesouro Nacional. Em troca, o Ministério da Fazenda passou a cobrar “ganhos imediatos de eficiência”, disse o ministro.
“É preciso enxugar a máquina, digitalizar processos; não faz sentido ter empregado separando cartas manualmente”, argumentou Durigan. Ele acrescentou que, se o PDV não surtir efeito, será “renovado” e outras ações, como a venda de imóveis, deverão ser aceleradas.
Parcerias privadas sem previsão de privatização
Durigan defendeu a antecipação de parcerias com empresas privadas para aumentar produtividade, mas descartou uma possível privatização da companhia. Entre as alternativas em estudo estão joint ventures, reorganização da cadeia logística e expansão para segmentos mais rentáveis do mercado.
Três fases de reestruturação
O plano dos Correios prevê três etapas:
- Recuperação financeira — redução de custos e captação de recursos;
- Consolidação — modernização operacional e revisão da rede, com possível fechamento de até mil agências deficitárias;
- Crescimento — ampliação do portfólio voltado ao e-commerce e busca de fusões, aquisições ou novas sociedades.
Com essas medidas, a estatal projeta diminuir o déficit em 2026 e voltar a registrar lucro em 2027, mantendo a prestação de serviços em todo o território nacional, segundo o documento interno de reestruturação.
Com informações de Gazeta do Povo