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Fundo de cunhado de Vorcaro desembolsou R$ 6,6 milhões por fatia da família Toffoli em resort no PR

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Brasília, 16 jan. 2026 – O empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi o único cotista do Fundo de Investimento Leal entre 2021 e 2025. Por meio dessa estrutura e de outro veículo, o Fundo Arleen, ambos geridos pela Reag Investimentos, Zettel aportou cerca de R$ 20 milhões no Tayayá Resort, no interior do Paraná. Desse total, R$ 6,6 milhões foram usados para comprar a participação detida pelos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como a operação foi montada

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o Leal era o único cotista do Arleen. Em setembro de 2021, o Arleen tornou-se sócio das companhias Tayayá Administração e Participações e DGEP Empreendimentos, controladas pelo primo do ministro, Mário Umberto Degani, e pela Maridt S.A., administrada pelos irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli. A transação formalizou Zettel como parceiro dos familiares de Toffoli no negócio.

A sociedade durou até 2025, quando as quotas foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, hoje único proprietário do resort.

Envolvimento da Reag e investigações

A Reag Investimentos, que administrava os fundos Leal e Arleen, foi liquidada pelo Banco Central na véspera desta semana. A gestora é alvo de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de uso de recursos ilícitos em fundos de investimento.

Relatórios enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam ausência de documentos e dificuldade para valorar ativos como o Tayayá, além de mencionar preocupações com possível lavagem de dinheiro.

Ligação com o inquérito do Banco Master

Embora não possua participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli costuma frequentar o empreendimento e é relator, no STF, do inquérito que investiga supostas fraudes no Banco Master, envolvendo Vorcaro e a própria Reag. O processo chegou ao Supremo por iniciativa da defesa do banqueiro.

Posicionamentos

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos, a administração do Tayayá Resort e a Reag Investimentos não se manifestaram.

Fabiano Zettel confirmou ter sido cotista do Leal, disse que deixou o investimento em 2022 e que o fundo foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o banqueiro “não tem, nem nunca teve, informação ou participação em negócios relacionados ao resort ou a quaisquer investimentos realizados por esses veículos”.

O advogado Paulo Humberto Barbosa declarou à CNN Brasil que conhece o ministro Toffoli, mas “nunca fez negócios” com ele, e que pretende transformar o Tayayá em “um dos maiores complexos turísticos da região”. Já a JBS informou que o escritório de Barbosa atuou para a companhia em ações tributárias em Goiás e que nem a empresa nem seus sócios mantêm relação com o resort.

O Fundo Arleen, criado em 2021 com prazo de 20 anos e tendo o Leal como único cotista, foi encerrado em novembro de 2025, após o avanço de operações da PF sobre fundos administrados pela Reag.

Com informações de Gazeta do Povo