Brasília – Passados 12 anos da Copa do Mundo de 2014, oito dos 12 estádios que receberam partidas no Brasil ainda consomem recursos públicos e mantêm dívidas que somam R$ 232 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A maior parte das arenas continua registrando déficit de operação ou exigindo pagamentos mensais dos governos estaduais para honrar contratos de parceria público-privada (PPP).
Dívida com o BNDES só acaba em 2028
Dos 11 projetos financiados pelo programa ProCopa, apenas Arena das Dunas (RN), Mineirão (MG) e Neo Química Arena (SP) estão quitados. Nos demais casos, o BNDES informa que não há inadimplência, mas os contratos vigem até novembro de 2028.
Arenas sob gestão direta do Estado
Arena da Amazônia (AM) – Orçada em R$ 499,5 milhões, custou R$ 757,6 milhões. O governo amazonense gasta cerca de R$ 15 milhões por ano para manutenção, enquanto a arrecadação com eventos cobre apenas fração desse valor.
Arena Pantanal (MT) – O projeto subiu de R$ 454,2 milhões para R$ 570 milhões. A manutenção anual é estimada em R$ 4 milhões. Mesmo com jogos do Cuiabá na Série A, o Estado ainda não conseguiu transferir a gestão à iniciativa privada.
Arena de Pernambuco (PE) – Após rompimento de PPP com a Odebrecht em 2016, o governo assumiu custos de R$ 19 milhões por ano relativos à rescisão e ainda arca com cerca de R$ 10 milhões em despesas operacionais. O déficit acumulado desde 2017 alcança R$ 42,7 milhões.
Arena Castelão (CE) – Sem concessão desde 2018, o estádio custa entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões anuais em energia, limpeza, segurança e manutenção, valor bancado integralmente pelo governo cearense.
PPPs garantem receita a concessionárias e despesa aos Estados
Mané Garrincha (DF) – Construído por quase R$ 2 bilhões (o maior valor entre as arenas), foi concedido em 2020 ao consórcio Arena BSB por 35 anos. Para sustentar a operação, o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo GDF, comprou os naming rights por R$ 7,5 milhões em três anos; o contrato foi cancelado em abril de 2026.
Arena das Dunas (RN) – Custo original de R$ 400 milhões. Contraprestações previstas em contrato podem chegar a R$ 421 milhões até 2031. Após renegociação aprovada pela Assembleia Legislativa, o repasse mensal ao concessionário caiu de R$ 11 milhões para R$ 4,5 milhões.
Mineirão (MG) – O Estado desembolsa contraprestações mensais ao consórcio Minas Arena, limitadas a R$ 3,7 milhões, para garantir equilíbrio financeiro da parceria por 25 anos.
Arena Fonte Nova (BA) – Um aditivo em 2021 reduziu a contraprestação anual de R$ 180,9 milhões para R$ 102,3 milhões, válida até março de 2028. Mesmo assim, a concessionária registrou prejuízo líquido de R$ 15,8 milhões em 2025.
Clubes assumem gestão e reduzem peso estatal
Arena da Baixada (PR) – Após disputa judicial encerrada em 2023, Athletico, governo do Paraná e prefeitura de Curitiba dividiram o custo final de R$ 346,2 milhões. O clube quitou R$ 50 milhões à vista e pagará o saldo de cerca de R$ 140 milhões em 15 anos.
Beira-Rio (RS) – Administrado por Sociedade de Propósito Específico do Internacional com Andrade Gutierrez e BTG Pactual. Danos de R$ 35 milhões causados pelas enchentes de 2024 foram cobertos pelo clube.
Maracanã (RJ) – Desde 2024 está nas mãos da SPE Fla-Flu Serviços S.A., que pagará outorga fixa anual de R$ 20 milhões ao governo fluminense e promete investir R$ 393 milhões em melhorias.
Neo Química Arena (SP) – O Corinthians deve entre R$ 650 milhões e R$ 700 milhões à Caixa, que herdou o empréstimo do BNDES. Toda a receita de jogos e camarotes é destinada ao fundo que administra a dívida.
Enquanto a seleção brasileira disputa a Copa de 2026, parte significativa dos contribuintes ainda arca com parcelas de financiamentos, incentivos fiscais ou custos de manutenção dos estádios erguidos para o Mundial de 2014. Segundo o BNDES, os débitos remanescentes serão totalmente quitados apenas daqui a dois anos.
Com informações de Gazeta do Povo