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Distribuidoras do Paraná receberão 30% menos diesel em abril, diz executivo; Petrobras nega redução

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São Paulo – 12/03/2026 – O fornecimento de óleo diesel para as distribuidoras instaladas em Araucária (PR) será reduzido em 30% a partir de abril, segundo informou Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial e diretor de Relações Institucionais da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).

De acordo com o executivo, outras regiões do país também sofrerão cortes, com uma média nacional de 23%. A alegação, segundo ele, é o choque na oferta global de petróleo provocado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz na semana passada. Pelo corredor marítimo passam 20% das cargas mundiais de petróleo e gás natural.

Contratos e impacto no segundo maior polo de combustíveis

Hammerschmidt explicou que a Petrobras negocia volumes compromissados com as distribuidoras. “Para abril, ela simplesmente cortou 30% do diesel de Araucária, que é o segundo maior polo de combustíveis do Brasil”, afirmou.

Embora o Brasil seja autossuficiente na extração de petróleo, ainda importa cerca de 17 bilhões de litros de diesel por ano, o equivalente a um quarto do consumo interno, por falta de capacidade de refino.

Setor defende mais biodiesel na mistura

Para reduzir riscos de desabastecimento, o executivo defende elevar a mistura de biodiesel de 15% (B15) para 20% (B20). A indústria nacional tem capacidade de produzir 15 bilhões de litros anuais, mas comercializou 9,5 bilhões no ano passado, operando com cerca de 45% de ociosidade. O aumento para B20 colocaria aproximadamente 400 milhões de litros adicionais no mercado a cada mês.

Na quarta-feira (11), 43 entidades do agronegócio e da agroindústria divulgaram carta pedindo a antecipação da mistura para 17% (B17). Pela Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024, esse patamar está previsto apenas para 2027.

Petrobras diz manter entregas regulares

Procurada, a Petrobras afirmou que não alterou o cronograma de entregas de diesel em suas refinarias. Em nota, a estatal reiterou o compromisso de mitigar efeitos de tensões geopolíticas sobre o mercado de energia e declarou que não antecipa decisões comerciais sobre reajustes de preços.

Pacote federal para conter preço

Também nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou isenção de PIS/Cofins sobre importação e produção de diesel, somada a uma subvenção de R$ 0,32 por litro, resultando em alívio total de R$ 0,64 por litro na cadeia.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que o diesel vendido no Brasil apresenta defasagem de 41% ante o mercado internacional, o que abriria espaço para aumento de até R$ 1,31 por litro.

Hammerschmidt afirma que as medidas fiscais “não garantem oferta, apenas aliviam preço”. Desde a semana passada, produtores rurais relatam falta de produto entregue por Transportadores Revendedores-Retalhistas (TRRs). A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que houve dificuldades pontuais no Rio Grande do Sul, mas que o estado possui estoques suficientes para o abastecimento regular.

Com informações de Gazeta do Povo