Brasília — 27.mar.2026 — O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), declarou nesta sexta-feira (27) que o governo federal não recuará após receber uma notificação extrajudicial da Uber do Brasil. A empresa cobra que o ministro comprove insinuações de suposta corrupção de agentes públicos em favor da plataforma.
“Podem ameaçar processar à vontade. O Governo do Brasil não vai se intimidar por ameaças de uma empresa estrangeira. Aqui não!”, escreveu Boulos na rede X, posicionando-se em nome da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Notificação enviada pela Uber
A Uber encaminhou o documento na quinta-feira (26) contestando dois vídeos publicados recentemente por Boulos. No material, o ministro sugere que representantes da companhia teriam corrompido autoridades para barrar propostas de regulamentação do setor.
Ponto de conflito: taxa de retenção
Um dos principais alvos das críticas do ministro é o percentual retido pelas plataformas sobre o valor das corridas. Boulos sustenta que a taxa chegaria a 50%, argumento que ele repete publicamente desde o ano passado e reafirmou nesta sexta-feira.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas de aplicativos, rebate a afirmação. Em nota divulgada na quarta-feira (25), a entidade afirmou que o percentual “não é fixo” e pode inclusive chegar a 0% em momentos de baixa oferta de motoristas, como forma de equilibrar oferta e demanda.
Repercussão interna no governo
Integrantes da base governista, segundo apurou a reportagem, demonstram preocupação com a insistência de Boulos em pautar o tema dos aplicativos em ano eleitoral. Aliados avaliam que medidas como tabelar valores de entregas podem encarecer o serviço para o consumidor e afetar a popularidade do Planalto.
Apesar das pressões, o ministro reforçou que a regulamentação dos aplicativos permanece como uma das prioridades do Executivo e reiterou que novas propostas serão apresentadas ao Congresso “nos próximos meses”.
Com informações de Gazeta do Povo