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Desafios da Diplomacia de Lula no Quarto Mandato: Relação com EUA e Minerais Críticos

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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 25 de outubro de 2026, traz à tona importantes desafios para a política externa do Brasil. A relação com os Estados Unidos, a disputa por minerais críticos e a integração sul-americana figuram entre os principais temas que o governo precisará enfrentar nos próximos anos.

O novo mandato de Lula deve manter a estratégia de estreitar laços com países do Sul Global e fortalecer a aliança com os Brics. Contudo, o presidente terá que lidar com a pressão comercial e geopolítica imposta por Donald Trump, o que inclui a necessidade de transformar a diplomacia em resultados econômicos tangíveis.

Uma das prioridades será avançar nas negociações para a redução das tarifas que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros. Desde julho, parte das exportações do Brasil enfrenta sobretaxas que podem chegar até 37,5%, prejudicando a competitividade das empresas brasileiras no mercado norte-americano.

Além disso, Lula precisará equilibrar as relações com a China e os Estados Unidos em meio à luta pelo controle de cadeias produtivas estratégicas, especialmente aquelas envolvendo minerais críticos e terras raras. O Brasil possui reservas significativas desses recursos, essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias avançadas. No entanto, o país ainda enfrenta limitações na separação, refino e produção de componentes industriais, que são etapas de maior valor agregado.

Recentemente, o governo sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que visa incentivar o processamento desses minerais no Brasil e estabeleceu o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.

A aproximação com o Brics e a diversificação de parceiros comerciais aumentam as opções de negociação do Brasil, mas também expõem o país às pressões de Washington para restringir a participação chinesa em cadeias estratégicas.

No que diz respeito à agenda ambiental, o governo deverá continuar utilizando a política climática como uma ferramenta para aumentar a projeção internacional do Brasil. O objetivo é ampliar a participação brasileira em negociações e buscar financiamento para a transição energética, além de dar continuidade ao fortalecimento das relações com a China.

Na América do Sul, o principal desafio será reconstruir os mecanismos de integração em um cenário em que diversos governos se aproximam da administração Trump. Entre as iniciativas dos EUA está o Escudo das Américas, criado para aumentar a colaboração no combate ao crime organizado e limitar a influência de potências externas na região.

Lula já havia tentado retomar a agenda de integração no início do terceiro mandato, através da Cúpula de Brasília, mas a fragmentação política entre os países sul-americanos dificultou o progresso dessa iniciativa.

O governo também precisa consolidar os benefícios do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, cuja aplicação provisória começou em maio. A implementação desse acordo pode ampliar as oportunidades de comércio, mas requer a adaptação dos setores produtivos às novas dinâmicas de concorrência.

Fonte: Revista Oeste.