O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e líderes de governos de esquerda do México e Cuba manifestaram apreensão diante da possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) vencer Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo domingo, 25, no segundo turno das eleições brasileiras.
Com a crescente onda de vitórias da direita na região, os poucos governos de esquerda restantes temem um agravamento do isolamento político se Lula não conseguir se reeleger. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ao ser questionada sobre o impacto da eleição brasileira, afirmou que a prioridade é representar o povo mexicano, mas evitou comentar diretamente a falta de aliados na América Latina.
Fernando Pereira, presidente da Frente Ampla, coalizão que apoia o presidente uruguaio, também expressou preocupações ao afirmar que a vitória da extrema direita poderia resultar na “aniquilação de direitos” em diversos países, incluindo o Brasil. Pereira destacou que a luta atual se resume entre democracia e barbárie.
Em Cuba, a Casa das Américas divulgou um comunicado enfatizando a necessidade de uma ação global para conter o avanço do que chamam de neofascismo, mencionando a eleição brasileira como uma batalha crucial. O opositor cubano José Daniel Ferrer García alertou que uma vitória de Flávio Bolsonaro significaria um fim significativo na aliança que o Brasil manteve com Cuba ao longo dos anos, especialmente em termos de apoio econômico e diplomático.
Ricardo Caichiolo, especialista em ciências políticas, destacou que a derrota de Lula teria um impacto profundo na coesão ideológica da América Latina, eliminando o principal contrapeso ao avanço conservador na região. Ele ressaltou que a ausência do Brasil poderia isolar ainda mais regimes autoritários, como os da Venezuela e Nicarágua.
O cenário atual é de crescente tensão entre os países da América Latina, com alguns governos de esquerda, como o da Nicarágua, já se distanciando de Lula em anos recentes, em meio a desavenças sobre direitos humanos e a condução política. A possibilidade de um governo Bolsonaro poderia intensificar esse afastamento e alterar a dinâmica de poder na região.
Fonte: Gazeta Do Povo.










