Madri, 30 jul. 2026 – A chegada de milhares de marroquinos à fronteira entre Castillejos, no Marrocos, e Ceuta, enclave espanhol no norte da África, desencadeou uma nova crise migratória na Europa e colocou em evidência a recente política de portas abertas adotada pelo governo socialista da Espanha.
Regularização em massa
Em abril, o gabinete do primeiro-ministro Pedro Sánchez aprovou regras que permitem a cerca de 500 mil imigrantes em situação irregular obter permissões de residência e trabalho. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) classificou a iniciativa como “emergência social”.
Decisão do Supremo ampliou o efeito
O quadro ganhou novo impulso no início de julho, quando o Supremo Tribunal espanhol confirmou que a lei de imigração veda as chamadas “repulsões” na fronteira — expulsões imediatas aplicadas a migrantes interceptados no mar. Especialistas apontam a sentença como possível fator de atração para quem aguardava no Marrocos.
Êxodo e caos em Ceuta
Nos últimos dias, multidões atravessaram a linha divisória rumo a Ceuta. Relatos da Agência EFE indicam que restaurantes e cafés fecharam antes do horário habitual por temor de distúrbios, o tráfego foi praticamente bloqueado por congestionamentos e os centros de acolhimento operam acima da capacidade.
Contexto político regional
A onda migratória ocorre poucos dias depois de Madri avançar no reconhecimento da nacionalidade de saarauís nascidos durante a administração colonial espanhola no Saara Ocidental e uma semana após a visita de Sánchez à Argélia — país que não mantém relações com Rabat desde 2021.
Porta de entrada para a União Europeia
Separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar, Ceuta é a única fronteira terrestre da União Europeia com o continente africano e há anos figura como rota preferencial de migrantes que buscam chegar à Europa.
As autoridades espanholas agora tentam equilibrar a política migratória interna com a necessidade de controlar a fronteira, enquanto a cidade enfrenta sobrecarga nos serviços básicos e tensão social.
Com informações de Gazeta do Povo