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Comércio mobiliza campanha para postergar votação do fim da escala 6×1

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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e suas 34 federações regionais lançaram uma campanha nacional no último fim de semana, solicitando o adiamento da votação sobre o fim da escala 6×1. A mobilização ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) firmar um acordo com os líderes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avançar com propostas do governo no Congresso.

O relatório do senador Omar Aziz (PSD-AM) sobre a proposta deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e no plenário na próxima quarta-feira (2). O senador já entregou o texto e rejeitou todas as 12 emendas apresentadas, mantendo a versão aprovada na Câmara, que poderá ser promulgada rapidamente se passar pelo Senado.

Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, as entidades do comércio pedem cautela aos senadores, alertando que a alteração nas regras trabalhistas sem consenso pode ter consequências negativas para o setor produtivo. A CNC enfatiza que mudanças desse porte devem considerar o atual cenário econômico, que inclui juros altos, crédito escasso, endividamento das famílias e a saída de empresas estrangeiras do Brasil.

Atualmente, mais de 90% da mão de obra no setor terciário opera sob a escala 6×1. A CNC alerta que uma alteração abrupta nas regras pode aumentar significativamente os custos operacionais, impactando os preços ao consumidor e resultando na perda de postos de trabalho.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, afirma que, embora a discussão sobre as condições de trabalho seja válida, ela deve ser conduzida com responsabilidade e análise técnica, especialmente em um período próximo às eleições. “Votarmos essa mudança constitucional de forma apressada coloca em risco a estabilidade de milhões de pequenas empresas e a manutenção de empregos formais”, destacou Tadros.

A CNC defende que qualquer modificação nas jornadas de trabalho deve ser feita por meio de convenções coletivas, permitindo que as particularidades de cada setor e região sejam levadas em conta. A entidade argumenta que decisões com impacto nos custos e empregos devem ser debatidas de forma ampla, sem que o calendário eleitoral pressione a análise.

Fonte: Gazeta Do Povo.