O bispo auxiliar de Caracas, Carlos Márquez, afirmou que os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho não devem ser entendidos como punição divina, mas como parte dos processos naturais que regem o planeta. A declaração foi dada em entrevista publicada em 19 de julho de 2026 pela agência ACI Prensa.
Segundo Márquez, “seria um ato de tremenda soberba” tentar oferecer uma explicação completa para o mistério do sofrimento. “Quando perguntamos por que isso aconteceu, muitas vezes estamos apenas procurando alguém para culpar”, disse. Para ele, questionamentos dessa natureza paralisam e intensificam a dor.
O prelado destacou dois pontos para compreender a tragédia:
1. Liberdade humana: o mau uso da liberdade, exemplificado por construções erguidas em áreas inadequadas ou sem padrões de segurança, aumenta o número de vítimas e danos. “A imprudência, culpável ou não, sempre termina em tragédia. Isso não é causado nem desejado por Deus”, declarou.
2. Dinâmica da criação: citando a Carta de São Paulo aos Romanos (8,22-39), Márquez lembrou que “a criação geme e sofre dores de parto”, num processo de reajuste rumo à plenitude prometida por Cristo. “Até que tudo seja recapitulado em Cristo, a natureza seguirá seu curso, e nós sofreremos suas vicissitudes”, acrescentou.
O bispo ressaltou, entretanto, a promessa cristã de que Deus não abandona os que sofrem. “Ele não nos garantiu ausência de terremotos ou enchentes, mas assegurou sua presença: ‘Estarei convosco até o fim do mundo’”, citou. Para Márquez, essa companhia divina se manifesta por meio da Igreja, dos sacramentos, da Palavra e do exemplo dos santos.
Relatos compartilhados em redes sociais mostram, segundo o religioso, que a esperança permanece viva entre os venezuelanos. Muitos agradecem por estarem vivos e se comprometem a honrar familiares falecidos. “Se vivermos unidos a Cristo no sofrimento, viveremos com Ele para sempre no céu. A morte não tem a palavra final”, afirmou.
Márquez convidou a população a superar a adversidade “sem perguntar por quê” e a trabalhar por um futuro melhor. “A Venezuela é terra de graça e de santos. Levantar-nos-emos do pó deste terremoto”, garantiu, recordando as palavras de São João Paulo II em Caracas, em 10 de fevereiro de 1996: “Mesmo que as dificuldades sejam sérias e os desafios imensos, sua determinação deve ser grande”.
De acordo com dados oficiais, os tremores deixaram 4.829 mortos e dezenas de milhares de feridos e desabrigados em todo o país.
Com informações de Gazeta do Povo