Manágua — O bispo emérito de Estelí, Abelardo Mata, 80 anos, está desaparecido há 19 dias na Nicarágua. O religioso foi visto pela última vez no fim de junho de 2026, quando foi detido duas vezes por agentes policiais.
Como ocorreu a detenção
Mata foi levado pela polícia nos últimos dias de junho, logo após celebrar uma missa em 28 de junho, durante a qual fez orações públicas pela “Igreja perseguida”. Desde então, não há confirmação de seu paradeiro.
Posicionamento oficial do governo
Em 4 de julho, o Ministério do Interior informou ter submetido o bispo a uma investigação sobre a origem de propriedades e supostos vínculos familiares incompatíveis com o sacerdócio. Segundo a nota, ele teria voltado para casa “em perfeitas condições”, mas nenhuma prova de vida foi apresentada nem foram permitidas visitas.
Preocupação com a saúde
A idade avançada e problemas médicos crônicos agravam a apreensão. O bispo é diabético, tem deficiência visual e utiliza marca-passo devido a uma condição cardíaca, necessitando de acompanhamento constante.
Reações internacionais
A pesquisadora Martha Patricia Molina e o ex-embaixador nicaraguense Arturo McFields classificam o desaparecimento como crime contra a humanidade. Bispos da América Central, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e sacerdotes exilados, como o padre Edwing Román, pressionam o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo por esclarecimentos e pedem que o papa Francisco se pronuncie.
Desaparecimento forçado
Especialistas apontam que o caso se enquadra no conceito de desaparecimento forçado — quando o Estado nega a detenção ou oculta o paradeiro da vítima. Organizações de direitos humanos denunciam que essa prática se tornou instrumento para silenciar críticos e aumentar o controle sobre a Igreja Católica no país.
Até o momento, o regime nicaraguense não forneceu qualquer prova de vida do bispo nem autorizou acesso de familiares ou de médicos independentes, mantendo o clima de incerteza sobre sua situação.
Com informações de Gazeta do Povo