A Libreria Editrice Vaticana colocou à venda, em 9 de julho, a primeira edição em italiano de “Félix Varela: A Biography”, obra de 208 páginas que revisita a vida do sacerdote cubano conhecido pela defesa da abolição da escravidão e pela contribuição decisiva à identidade cultural de Cuba.
Escrito pelo monsenhor Carlos Manuel de Céspedes — falecido em Havana em 2014 — o livro chega ao público com prefácio do arcebispo Vincenzo Paglia, presidente emérito da Pontifícia Academia para a Vida. Para Paglia, Varela foi “uma espécie de fundador da cultura nacional cubana”, graças a escritos que articularam fé, consciência e a luta por liberdade.
Trajetória marcada pelo compromisso social
Nascido em Havana em 20 de novembro de 1788, Félix Varela foi enviado às Cortes de Madri em 1821 para representar a ilha. Ali, propôs a abolição da escravidão, a independência de Cuba e um governo próprio para as províncias ultramarinas, posições que lhe custaram o exílio em 1823. Instalado em Nova York, exerceu o ministério como pároco e vigário episcopal.
Na metrópole norte-americana, Varela organizou uma paróquia interétnica e intercultural, criou um sistema inédito de assistência a imigrantes e defendeu que a ação pastoral, centrada no Evangelho, fosse instrumento de justiça social. Ele morreu em Santo Agostinho, Flórida, em 27 de fevereiro de 1853.
Reconhecimento e legado
Entre os seus escritos, destaca-se “Cartas a Elpídio sobre a Impiedade, Superstição e Fanatismo em sua Relação com a Sociedade”, elogiado por São João Paulo II, em 1998, como “verdadeiro monumento de ensinamento moral”. O Vaticano declarou Varela venerável em março de 2012, durante o pontificado de Bento XVI, ressaltando seus “dons humanos” e “virtudes cristãs e sacerdotais”.
Ao apresentar a nova edição, o arcebispo Paglia afirmou que, num cenário mundial marcado por violências e polarizações, Varela simboliza a possibilidade de unidade: “um sacerdote verdadeiramente católico — isto é, universal — cuja mensagem não divide, mas une, respeitando as diferenças individuais”.
Com informações de Gazeta do Povo