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Aumento dos preços dos alimentos ameaça o futuro de crianças em todo o mundo, alerta Visão Mundial

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Um novo relatório da organização humanitária Visão Mundial revela que o aumento dos preços dos alimentos está colocando em risco o futuro de milhões de crianças ao redor do mundo. A pesquisa, intitulada “Choques de Preços 2026: A Crise de Acessibilidade que Torna as Dietas Nutritivas Inacessíveis”, foi divulgada na última sexta-feira, coincidentemente no Dia Mundial da Alimentação.

O estudo, que é a quinta edição anual da pesquisa, analisou o custo de uma cesta básica de alimentos em 62 países, comparando com os salários médios locais. Foram avaliados 10 itens alimentares comuns, como arroz, farinha, ovos, frango e leite. Os resultados mostram que muitas famílias, até mesmo nos Estados Unidos, estão reduzindo a quantidade de alimentos que compram, optando por opções mais baratas e menos nutritivas.

Nos países de alta renda, o salário de uma hora é suficiente para cobrir o custo de alimentos simples e nutritivos. Porém, em nações onde a alimentação é menos acessível, o mesmo valor pode levar dias ou semanas para ser obtido. Por exemplo, um trabalhador na Ucrânia precisa de mais de 12 horas de trabalho para comprar uma cesta básica, enquanto um adulto no Sudão precisa de 19 dias.

O relatório indica que cerca de 35,5 milhões de crianças sofreram de desnutrição aguda em 2025, com quase 10 milhões enfrentando a forma mais grave da condição. A desnutrição pode afetar o desenvolvimento físico e mental das crianças, comprometer o sistema imunológico e aumentar o risco de morte, com consequências que podem perdurar até a vida adulta.

Margaret Schuler, vice-presidente sênior de programas internacionais da Visão Mundial, destacou a situação crítica enfrentada por muitas mães em comunidades afetadas por crises. “As crianças não deveriam ter que pagar o preço quando alimentos nutritivos estão fora de seu alcance”, afirmou Schuler, enfatizando a necessidade urgente de garantir que as famílias tenham acesso a alimentos adequados para o desenvolvimento de seus filhos.

A Visão Mundial pediu a governos, instituições internacionais, empresas e doadores que coloquem em prioridade o fornecimento de alimentos saudáveis e acessíveis para as crianças. A organização recomenda a ampliação dos programas de merenda escolar, o incentivo à produção local de alimentos e a criação de empregos que possam resistir a crises, além de um envio rápido de ajuda alimentar para as populações afetadas por conflitos.

Recentemente, a situação da segurança alimentar se agravou em algumas regiões do Sudão, com a guerra e a seca impactando áreas como Darfur e Kordofan. A Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC) emitiu um alerta sobre a insegurança alimentar severa nesse país, onde mais de 19 milhões de pessoas enfrentam altos níveis de insegurança alimentar.

No Afeganistão, a desnutrição também alcançou níveis alarmantes, com mais de um terço da população enfrentando fome severa, segundo dados das Nações Unidas. Espera-se que a situação se agrave nos próximos meses, com mais de 4 milhões de crianças necessitando de tratamento para desnutrição.

John Aylieff, chefe da operação do Programa Mundial de Alimentos no Afeganistão, ressaltou que ainda existe uma janela de oportunidade para agir, mas que ela está se fechando rapidamente.

Fonte: Folha Gospel.