Riad, 30 de julho de 2026 — A Arábia Saudita anunciou nesta quinta-feira (30) a criação da Aliança Multinacional de Defesa Marítima, bloco formado para garantir a segurança da navegação comercial e das vias de abastecimento de energia no mar Vermelho.
De acordo com o Ministério da Defesa saudita, a decisão foi tomada durante reunião em Riad que reuniu chefes de Estado-Maior e representantes de 43 países, além da União Europeia. A nova estrutura terá sede na própria Arábia Saudita e atuará no mar Vermelho, no golfo de Áden e no estreito de Bab el-Mandeb.
A pasta informou que 14 países já assinaram o documento fundador; a imprensa local cita Kuwait, Catar, Turquia, Paquistão, Jordânia, Egito, Sudão, Somália e Djibuti entre os signatários. Os demais participantes manifestaram apoio e aguardam a conclusão de trâmites internos para oficializar a adesão.
Objetivos e funcionamento
Segundo comunicado divulgado pela agência estatal SPA, a aliança tem caráter “puramente defensivo” e atuará para:
- reforçar a segurança marítima;
- proteger a liberdade de navegação;
- assegurar rotas comerciais internacionais e linhas de suprimento de energia;
- defender interesses marítimos comuns.
Os países membros irão compartilhar informações de inteligência, realizar exercícios navais conjuntos e cooperar no desenvolvimento de capacidades, sempre “em pleno cumprimento do direito internacional”, acrescenta o texto.
Contexto dos ataques houthis
A iniciativa surge após os houthis do Iêmen, aliados do Irã, imporem em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita no mar Vermelho. Nas semanas seguintes, os rebeldes atacaram instalações energéticas sauditas e navios petroleiros ligados ao reino, em retaliação a um bombardeio, atribuído por eles a Riad, ao aeroporto de Sanaa em 13 de julho.
Desde 2015, a Arábia Saudita comanda uma coalizão militar no Iêmen em apoio ao governo reconhecido internacionalmente. Autoridades iemenitas afirmam que o bloqueio rebelde está conectado ao conflito mais amplo envolvendo o Irã e suas ações contra rotas globais de suprimento.
A aliança recém-criada permanece aberta à adesão de outros países, que, segundo o comunicado, poderão “ampliar a cooperação e fortalecer a segurança marítima coletiva” na região.
Com informações de Gazeta do Povo