A decisão do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, de descontar integralmente os dias de greve de agosto e setembro resultou em muitos servidores sem salário em outubro. A medida gerou um aumento na tensão entre a administração do instituto e a categoria, que exige uma negociação sobre os cortes.
A Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBGE-SN) denunciou que os descontos foram aplicados sem acordo prévio, mesmo após os servidores terem retornado ao trabalho. O sindicato ressaltou que a Bahia foi um dos estados mais impactados pela paralisação, que teve maior adesão.
Em um comunicado divulgado na última quinta-feira (5), a ASSIBGE-SN classificou a decisão como unilateral e afirmou que isso intensifica o conflito com a categoria. “A direção do IBGE ignora os apelos do sindicato e os esforços de diálogo com o governo federal”, declarou a entidade.
A associação também informou que enviou uma proposta de Termo de Acordo à presidência do IBGE há mais de um mês, buscando uma solução para os dias parados. Além disso, a ASSIBGE-SN acionou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Ministério do Planejamento para facilitar as negociações.
De acordo com o sindicato, a administração do IBGE tem feito novas exigências, prolongando as discussões sem chegar a um consenso. A ASSIBGE-SN exige uma reunião que inclua representantes do sindicato, do MGI e da presidência do Instituto.
“Não somos nós que nos recusamos a negociar”, enfatizou a associação, que já está contestando administrativamente os descontos e não descarta recorrer à Justiça se as negociações não avançarem. Contudo, a prioridade permanece na busca por um diálogo.
Em resposta às críticas, o IBGE afirmou, por meio de uma nota, que sempre esteve aberto à negociação e que já havia comunicado à ASSIBGE-SN que as conversas seriam retomadas após o período eleitoral, que se encerrou em 25 de outubro. O instituto defendeu que os descontos foram feitos de acordo com as normas da administração pública federal e com as diretrizes do MGI.
O IBGE destacou que a greve envolveu 143 servidores, o que representa cerca de 1% do total de funcionários, com paralisações variando de um a 25 dias. O MGI também se manifestou, informando que aguarda uma resposta do IBGE para agendar uma reunião sobre a suspensão dos descontos.
A greve, que teve início em 10 de agosto, afetou principalmente as unidades do IBGE na Bahia e no Rio de Janeiro, e abordou questões relacionadas às condições de trabalho, remuneração e gestão de pessoal. Os servidores exigem a revisão dos critérios de indenização para atividades de campo, garantias para aqueles que ingressaram pelo Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além de reajustes e direitos para trabalhadores temporários.
Essa situação é um reflexo de uma crise interna que se agravou desde 2024, com os funcionários questionando a gestão de Marcio Pochmann. Um dos principais pontos de discórdia foi a proposta de criação da Fundação IBGE+, que visava captar recursos privados, mas gerou preocupações sobre a autonomia do órgão.
Fonte: Gazeta Do Povo.








