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Justiça Federal libera acesso a documentos sobre a morte de Tancredo Neves

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A Justiça Federal autorizou, no dia 1º de novembro de 2026, que os familiares de Tancredo Neves possam acessar documentos sigilosos relacionados ao atendimento médico do ex-presidente, falecido há mais de 40 anos. A decisão, unânime, foi proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e visa esclarecer possíveis irregularidades nos procedimentos médicos durante sua internação em março de 1985.

Tancredo Neves foi hospitalizado em 14 de março de 1985, um dia antes de assumir a Presidência da República, devido a um quadro de diverticulite. Ele faleceu em 21 de abril daquele ano após enfrentar complicações graves, sendo transferido no dia 26 de março para o Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.

A família busca esclarecer se houve falhas nos cuidados médicos recebidos. A determinação judicial também exige que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) forneçam prontuários, identificação dos profissionais envolvidos e outros registros pertinentes ao caso. Até o momento, as instituições informaram que ainda não receberam a notificação oficial.

Os questionamentos da família são baseados no livro “O Paciente”, de Luís Mir, publicado em 2010. Entre as dúvidas levantadas, está a necessidade de uma cirurgia de emergência, que foi contestada por especialistas, e o fato de mais de 30 acompanhantes estarem presentes na sala durante o procedimento.

Outro ponto de investigação envolve as advertências aplicadas pelo CRM-DF a médicos que participaram do tratamento de Tancredo. A família deseja entender os fundamentos dessas medidas e quais condutas foram analisadas pelo conselho.

Uma foto famosa da época mostra Tancredo cercado pela equipe médica, e sua posição na imagem também foi alvo de questionamentos, considerando a região operada.

Tancredo Neves, eleito em janeiro de 1985 após 21 anos de regime militar, não pôde assumir o cargo devido à sua internação. O vice-presidente José Sarney assumiu a presidência em 15 de março e, após a morte de Tancredo, continuou a liderar o governo na primeira administração civil durante a redemocratização do Brasil.

Fonte: Revista Oeste.