Líderes do Centrão estão em busca de uma mudança nas regras eleitorais com o objetivo de conter o avanço do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados. A proposta em discussão sugere a implementação do voto distrital misto a partir de 2034, com uma transição programada para as eleições de 2030.
Essa iniciativa surge após os partidos de centro perderem 22 cadeiras em relação às eleições de 2022, enquanto o PL aumentou sua bancada de 99 para 121 deputados, o que representa 23,6% das 513 vagas na próxima legislatura.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comunicou sua intenção de debater e votar essa mudança em 2026, após uma reunião com representantes de diversas legendas, incluindo União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos.
Motta também manifestou interesse em buscar apoio de outras siglas, como o PL e o Novo, além da federação formada por PT, PV e PCdoB. Ele pretende dialogar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a reforma.
A proposta em análise traz uma mudança significativa na forma como as cadeiras serão preenchidas. A ideia é que metade dos deputados seja eleita em distritos definidos dentro de cada estado, enquanto a outra metade viria de listas partidárias com uma ordem pré-estabelecida pelos partidos, dependendo da votação recebida.
Atualmente, os eleitores podem votar em candidatos de qualquer região do seu estado, e a distribuição das cadeiras se dá de forma proporcional. Com a nova proposta, a ordem dos candidatos na lista definida pelo partido influenciaria diretamente quais representantes ocupam as vagas.
A transição para o novo sistema ainda está indefinida, mas a proposta sugere a adoção do voto distrital misto em 2034, com regras intermediárias a serem decididas para 2030. Uma das alternativas em discussão é o “distritão”, onde os candidatos mais votados em cada estado conquistam as vagas, independentemente da votação total de seus partidos.
Além disso, a definição dos limites dos distritos eleitorais ainda precisa ser estabelecida, o que pode impactar parlamentares que possuem votos concentrados em diferentes municípios.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator de um projeto sobre voto distrital, é uma das figuras cotadas para relatar a proposta de emenda à Constituição. Embora Motta tenha expressado a intenção de avançar com a reforma este ano, o apoio dos partidos de centro ainda precisa ser consolidado, uma vez que existem divergências sobre o modelo, a transição e o funcionamento das listas.
Vale ressaltar que a discussão não envolve mudanças na forma de eleição dos senadores.
Fonte: Revista Oeste.









