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Defesa de Vorcaro questiona validade de provas que podem beneficiar Moraes

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A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do Banco Master, apresentou um laudo pericial ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, que pode favorecer o ministro Alexandre de Moraes. O documento indica que foram realizadas alterações nos arquivos do iPhone 17 Pro de Vorcaro após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal.

O laudo foi apresentado em meio à investigação que envolve 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Em setembro, o ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de um relatório da PF que revelou como Vorcaro utilizava uma técnica de dupla blindagem para dificultar o rastreamento das conversas. Ele redigia mensagens no aplicativo “Notas”, fazia capturas de tela e enviava as imagens via WhatsApp, configurando o contato para deletar as mensagens após 24 horas.

O perito que elaborou o laudo afirma que, embora o celular tenha sido apreendido na noite de 17 de novembro de 2025, 436 novos arquivos teriam sido gerados a partir do dia seguinte, incluindo 94 imagens no formato proprietário da Apple. Além disso, 999 arquivos internos foram alterados, e outros 657 tiveram seus conteúdos modificados no dia seguinte à apreensão. Contudo, o perito não conclui que essas mudanças foram devidas a uma intervenção humana, pois não teve acesso aos dados brutos do aparelho.

Se a argumentação da defesa for confirmada, as provas obtidas a partir do celular poderiam ser anuladas com base no princípio do “fruto da árvore envenenada”, que desconsidera provas obtidas de forma ilícita. Esse mesmo princípio foi utilizado anteriormente para anular evidências na Operação Lava Jato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa de Vorcaro solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, o acesso aos dados brutos extraídos do celular, além de pedir a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro e a substituição por medidas cautelares. Os advogados ressaltam que o iPhone é a prova central da investigação e que relatórios da PF podem ser manipulados, tornando-se suscetíveis a edições.

Os advogados argumentam que a falta de acesso à cópia física dos dados impede o exercício do contraditório e a paridade de armas, garantidos pela Constituição. A Gazeta do Povo contatou a Polícia Federal, mas ainda não obteve resposta.

Fonte: Gazeta Do Povo.