O pastor e escritor Marco Feliciano fez uma reflexão sobre as mudanças sociais e políticas que o Brasil vem enfrentando, especialmente em um contexto de crescente influência do protestantismo evangélico. Ele destacou a ascensão do conservadorismo popular e os desafios que a Igreja evangélica precisa enfrentar atualmente.
Feliciano mencionou a obra do sociólogo Max Weber, “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, que, em 1905, analisou a relação entre a moral protestante e o desenvolvimento do capitalismo moderno. Segundo Weber, a busca metódica pelo lucro está ligada a um dever moral, o que moldou a ética e, por consequência, a sociedade.
Nos últimos 40 anos, o Brasil observou uma mudança significativa com o crescimento do protestantismo evangélico, principalmente de orientação pentecostal. De acordo com Feliciano, a proporção de evangélicos na população saltou de 6% para 31%, transformando as bases da moralidade nacional e promovendo valores conservadores como responsabilidade e prudência.
O deputado ressaltou que, até o início do século XXI, o conservadorismo popular não se manifestava como uma força política organizada no Brasil. A direita era caracterizada por uma ideologia difusa, enquanto a esquerda dominava o cenário político. Contudo, a partir de 2013, essa dinâmica mudou, com manifestações em 2019 em apoio à Reforma da Previdência.
Feliciano observou que a religiosidade passou a influenciar a disposição política da população. No entanto, apesar do crescimento da direita conservadora nas eleições, ele notou uma diminuição no número de parlamentares com forte ligação denominacional. O pastor alertou que muitos evangélicos estão se voltando para influenciadores digitais que, mesmo utilizando uma linguagem cristã, não compartilham dos mesmos valores e compromissos com as tradições religiosas.
“Chegou a hora de a Igreja evangélica brasileira repensar o que e a quem legitima”, afirmou Marco Feliciano, enfatizando a necessidade de uma reflexão interna sobre o futuro da Igreja e sua relação com a sociedade.
Fonte: Gospel Mais.









