As eleições de 2026 mostraram um avanço significativo das candidatas de direita, que se destacaram ao eleger o maior número de senadoras na história recente, além de serem as únicas com representantes na disputa pelos governos estaduais. Ao contrário da esquerda, que não apresenta mulheres no segundo turno para os executivos estaduais, a direita conseguiu emplacar cinco senadoras, sendo que em 2022 a única governadora eleita no primeiro turno foi Fátima Bezerra (PT) no Rio Grande do Norte.
A cientista política Malu Gatto, doutora pela Universidade de Oxford, explica que esse crescimento se deve em grande parte à figura de Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama e agora senadora eleita pelo Distrito Federal. Ela focou sua campanha na importância da presença feminina na política e apoiou diversas candidatas de sua legenda e de partidos aliados.
No Senado, além de Michelle, foram eleitas Bia Kicis (PL-DF), Caroline De Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO) e Mara Rocha (Republicanos-AC). Com isso, a direita alcançou um recorde de senadoras eleitas desde 2014, superando a esquerda, que elegeu quatro senadoras. Em 2018 e 2022, a direita havia eleito três senadoras, enquanto a esquerda ficou com uma.
No cenário estadual, as quatro mulheres que avançaram para o segundo turno são todas de partidos de direita: Celina Leão (PP) no Distrito Federal, Mailza Assis (PP) no Acre, Professora Maria do Carmo (PL) no Amazonas e Professora Dorinha (União) no Tocantins. Raquel Lyra (PSD), de um partido de centro, foi a única governadora eleita no primeiro turno, em Pernambuco.
Na Câmara dos Deputados, a representação feminina também cresceu, com a direita passando de 11 deputadas em 2014 para 44 em 2026. O PL se destacou, quase alcançando o PT, que foi o partido que mais elegeu deputadas. Embora proporcionalmente mais mulheres tenham sido eleitas pelo PT, em números absolutos as duas legendas estão próximas: 22 deputadas do PL contra 25 do PT.
A pesquisa de Malu Gatto indica que a estratégia do PL visa atrair o eleitorado feminino, dado que em 2018 as mulheres estavam menos propensas a votar em Jair Bolsonaro. Desde então, o partido tem se esforçado para reduzir essa resistência, enfatizando a presença feminina em suas candidaturas.
Gatto menciona um padrão observado em outros países, onde partidos de direita aumentam a quantidade de candidatas para conquistar o voto feminino. Além disso, o recente escândalo do Banco Master trouxe à tona questões de corrupção, favorecendo candidaturas femininas, que são vistas como uma alternativa a esse problema.
Os dados apresentados são de um levantamento realizado pela Gazeta do Povo, com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2014 a 2026.
Fonte: Gazeta Do Povo.









