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Pesquisa monitora cultos e missas em período eleitoral e gera polêmica sobre liberdade religiosa

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) monitorou mais de 7.000 cultos e missas em igrejas durante as duas semanas que antecederam o primeiro turno das eleições. A pesquisa, em parceria com a ONG More in Common, registrou e analisou 7.456 celebrações religiosas transmitidas pelo YouTube, abrangendo instituições como a Assembleia de Deus de Pernambuco, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo e a Igreja Batista da Lagoinha.

O levantamento revelou que, ao todo, foram analisadas mais de 3.800 horas de áudio. Rodrigo Toniol, coordenador do grupo de pesquisa Passagens, explicou que o intuito era identificar crimes eleitorais nas igrejas. “Monitoramos milhares de cultos e missas para detectar crimes eleitorais e menções políticas nos púlpitos religiosos”, afirmou Toniol.

A pesquisa abrangeu cerca de 10% das igrejas católicas e batistas do país, além de aproximadamente 2.000 templos da Assembleia de Deus. Os dados indicam que 8,3% dos cultos da Assembleia de Deus e 1,4% das missas das igrejas batistas apresentaram elementos de propaganda eleitoral, enquanto nas missas católicas esse índice foi de apenas 0,7%.

Ao todo, 237 reuniões religiosas (equivalente a 3,2%) foram consideradas pelos pesquisadores como contendo propaganda eleitoral. A maioria das menções a candidatos referia-se a pedidos de votos para deputados estaduais e federais, e não para a presidência. Para os pesquisadores, foram consideradas propaganda eleitoral todas as práticas que promovem ou atacam uma candidatura, seja de forma direta ou indireta, incluindo desde pedidos explícitos de voto até bênçãos a candidatos.

Por outro lado, 96,8% das celebrações monitoradas não abordaram questões eleitorais. O estudo apontou que a maior parte das menções políticas teve um tom cívico, com incentivos ao voto consciente e desestímulo à polarização, sendo essas mensagens cinco vezes mais frequentes do que os pedidos de voto.

A pesquisa gerou polêmica, levando o Instituto Brasileiro de Direito Religioso (IBDR) a emitir uma nota de repúdio ao monitoramento. O instituto expressou preocupação com ações que fiscalizam cultos religiosos durante o período eleitoral, reafirmando a importância da liberdade religiosa e da autonomia das organizações religiosas.

O IBDR classificou a ação do grupo de pesquisa como uma fiscalização ilegal, ressaltando que, embora a liberdade acadêmica deva ser respeitada, monitorar atividades religiosas para identificar infrações eleitorais é uma violação do direito ao culto. A instituição também questionou os critérios usados para classificar manifestações religiosas como crimes eleitorais, afirmando que referências a candidatos ou temas políticos não são, por si só, indicativos de crime eleitoral.

Fonte: Guiame.