A poucos dias do primeiro turno das eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou sua campanha, adotando uma postura de “fazer o diabo” para garantir a vitória. Essa expressão, popularizada por Dilma Rousseff, reflete a crescente urgência do presidente em conquistar votos, levando-o a criticar até mesmo decisões tomadas por seu próprio governo.
A expressão “fazer o diabo” foi utilizada por Dilma em 2013, durante sua reeleição. O curioso é que Lula, que já vinha adotando uma postura flexível desde 2023, agora se vê em um emaranhado de contradições que são exploradas por seus adversários. Um exemplo claro disso é sua recente mudança de posição em relação às apostas esportivas, que seu governo havia regulamentado e que agora ele busca proibir.
Outro ponto controverso foi a reversão sobre a “taxa das blusinhas”, que previa a taxação de compras internacionais de pequeno valor. Embora Lula tenha sancionado essa medida, agora ele negocia sua revogação com o Legislativo.
Em uma manobra que gera críticas sobre a utilização de benefícios sociais para fins eleitorais, o governo anunciou um aumento de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691, apenas 17 dias antes da votação. O governo afirma que se trata de uma reposição da inflação, mas a proximidade da eleição levanta questões sobre a motivação política por trás da medida, que deverá impactar as contas públicas em mais de R$ 22 bilhões em 2027.
Além disso, Lula propôs a disponibilização de canetas emagrecedoras pelo SUS, uma ideia que gerou polêmica por ser apresentada sem a definição clara de critérios e impactos financeiros. Essas propostas, embora justificadas por razões econômicas, contribuem para a imagem de um candidato que muda de opinião às vésperas da eleição.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou as redes sociais para criticar as contradições de Lula, afirmando que o próprio governo cria problemas para, em seguida, se apresentar como a solução. A campanha também se voltou para o Judiciário, com Lula acionando o STF para investigar possíveis interferências estrangeiras nas eleições, designando Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, para conduzir a ação.
Essa série de mudanças e críticas internas expõe uma faceta contraditória da campanha de Lula, que busca alavancar sua imagem enquanto enfrenta o desafio de conciliar suas promessas com o legado de seu próprio governo.
Fonte: Gazeta Do Povo.









