A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), ocorrida na sexta-feira (25), de não afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, do caso Master, gerou uma onda de críticas entre políticos de direita que exigem uma responsabilização adequada.
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), que assinou o ofício que provocou o julgamento, descreveu a sessão como “ultrajante e corporativista”. Ela questionou: “Um cara que toma uísque, fuma charuto e pede favores para o investigado pode ser o ‘acusador’ desse mesmo investigado? No Brasil sim”.
Por unanimidade, o colegiado decidiu que não tinha competência para declarar impedimento ou suspeição do procurador geral. A proposta de investigar Gonet também foi rejeitada, embora quatro dos nove conselheiros presentes – Gonet não votou por ser parte interessada – tenham defendido a realização de uma apuração preliminar por outro subprocurador. No entanto, o voto do relator, Francisco de Assis Sanseverino, prevaleceu.
A decisão coincide com uma liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, que determinou a remoção de mais de mil publicações nas redes sociais sobre uma suposta intenção do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, caso eleito.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para a suspensão cautelar de Gonet do caso, destacando que a presidência da sessão foi exercida por Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino. “Mas quem afasta o procurador-geral não é esse conselho. É o Senado. O mesmo Senado onde Alcolumbre enterra CPMI e pedido de impeachment para proteger o sistema do qual faz parte”, afirmou Viana.
O julgamento acontece após a divulgação de uma foto de Gonet com Daniel Vorcaro, o que contrasta com a alegação do procurador de que não tinha proximidade com o ex-dono do Banco Master. Para Viana, a situação é contraditória.
A polêmica foi acentuada durante a sessão de 15 de setembro de 2026, quando o ministro Gilmar Mendes confrontou Mendonça em defesa de Gonet, referindo-se à suspeição como uma “desfaçatez”. Mendes ainda não se manifestou sobre a nova decisão.
A professora de Direito Penal da USP e vereadora Janaína Paschoal (PP) questionou a lógica por trás da decisão, afirmando: “Se vários conselheiros estão dizendo que Gonet não poderia ter pedido o arquivamento, como é que votam por mantê-lo no caso? Não consigo ver lógica! Afasta e investiga!”
O candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), também criticou a decisão, chamando-a de “vergonha inaceitável” e acusando o Conselho Superior do MPF de priorizar o corporativismo em detrimento da transparência.
Fonte: Gazeta Do Povo.









