A situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, será discutida nesta sexta-feira (25) pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF). A análise é resultado de mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O encontro do Conselho visa avaliar a continuidade de Gonet nas investigações relacionadas ao Banco Master e determinar se há indícios que justifiquem uma apuração sobre seu comportamento. A representação que originou o procedimento foi formalizada por deputados do Partido Novo em 2 de setembro, após a divulgação de informações do relatório da PF. Os parlamentares solicitaram que Gonet fosse afastado dos casos concernentes ao banco, alegando que suas menções nas investigações poderiam comprometer sua imparcialidade.
É importante destacar que o procedimento não se trata de uma acusação criminal formal contra Gonet, nem de um processo administrativo disciplinar. O foco inicial é investigar se existem elementos que comprometam sua atuação e, dependendo do resultado, o Conselho poderá decidir por arquivar o caso ou determinar ações adicionais.
O relator do caso é o subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Sanseverino. O Conselho, que possui competências para tratar de questões administrativas e autorizar ações relacionadas à perda de cargo de membros do MPF, poderá decidir se Gonet deve ser afastado apenas dos procedimentos do Banco Master, sem implicar na perda de seu cargo como procurador-geral.
Se o Conselho identificar indícios de crime comum, poderá encaminhar o caso para investigação, mas isso não resultará automaticamente em uma condenação ou denúncia imediata. O advogado e cientista político Arthur Bezerra de Souza Junior explica que, caso o subprocurador designado não encontre fundamento para a acusação, o processo poderá ser arquivado.
As mensagens encontradas pela PF revelaram diálogos onde Vorcaro menciona “Paulo e Andrei”, interpretados como referências a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em uma dessas comunicações, Vorcaro sugere que é importante proteger Gonet de possíveis ações de pessoas de baixo escalão. Gonet, por sua vez, negou qualquer relação próxima com Vorcaro, afirmando que seu único encontro foi breve e ocorreu durante um evento público.
A defesa de Gonet argumenta que não há evidências de uma relação pessoal com Vorcaro e que as menções nas mensagens não provam interferências diretas nas investigações. O Conselho, portanto, terá que avaliar a extensão real da relação entre os dois, considerando todos os elementos disponíveis.
Além disso, o futuro de Gonet na PGR não depende apenas da decisão do Conselho. A destituição do procurador-geral requer a ação do presidente da República e a aprovação da maioria do Senado Federal, conforme estipulado pela Constituição. Gonet, que tomou posse em 19 de dezembro de 2025, tem um mandato que vai até dezembro de 2027 e, como subprocurador-geral, possui vitaliciedade em sua posição.
Fonte: Gazeta Do Povo.








