Uma investigação da operação Lava Jato envolvendo o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), foi oficialmente encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na última quinta-feira, 17 de setembro de 2026.
As apurações indicam que Cunha era o destinatário final de propina em um esquema relacionado a contratos da Furnas Centrais Elétricas. Segundo delações do doleiro Lúcio Funaro, Katz, associado a Cunha, negociava e recebia valores ilícitos, que seriam posteriormente distribuídos entre seus aliados políticos.
Funaro também denunciou retaliações contra a empresa Engevix Engenharia, que, segundo ele, não pagou o que foi exigido. Após isso, Cunha teria agido para prejudicar os interesses da Engevix, que mantinha contratos de cerca de R$ 177 milhões com Furnas.
Em 2016, um empreiteiro da Engevix afirmou que a empresa teria recebido novos contratos após pagar R$ 1 milhão a Cunha e R$ 2,5 milhões ao PL, então conhecido como PR. A Engevix, em resposta, afirmou que as informações se baseiam em vazamentos e que a colaboração firmada não abrange os temas mencionados.
No âmbito da investigação, documentos mencionam uma ordem de Katz para transferir US$ 2 milhões da Odebrecht e US$ 650 mil de outros clientes para as Ilhas Cayman, utilizando um método clandestino de compensação financeira conhecido como “dólar-cabo”.
A Lava Jato sofreu reviravoltas nos últimos anos, com o STF anulando várias decisões e provas de processos relacionados. Em 2021, a Corte declarou a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar os casos e, em 2023, considerou provas obtidas de forma irregular através de sistemas da Odebrecht como inadmissíveis.
Os relatos sobre Cunha e Katz motivaram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro a abrir uma nova investigação em 2019. No entanto, em julho de 2022, o procurador Rodrigo Golívio Pereira decidiu que o caso deveria ser tratado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, uma vez que envolvia Furnas, uma sociedade de economia mista.
Com a mudança de entendimento do STF sobre foro privilegiado, o juiz Renan de Freitas Ongaratto, em maio de 2026, remeteu o caso de volta ao STF, considerando que os fatos ocorreram durante o mandato de Cunha como deputado federal. A investigação chegou ao Supremo em 28 de agosto.
A reportagem tentou contato com a defesa de Eduardo Cunha, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações de todas as partes envolvidas.
Fonte: Gazeta Do Povo.









