A questão da linguagem na Bíblia é complexa e muitas vezes mal interpretada. Em Mateus 12, Jesus enfrenta os fariseus, que o acusam de agir com poder demoníaco após ele curar um homem cego e mudo. Nesse contexto, Jesus faz uma afirmação contundente: “Raça de víboras! Como podeis falar coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34).
Este ensinamento surge em um dos momentos mais hostis do Evangelho, quando a vida de Jesus está em risco. A expressão “palavras sem valor”, usada por Jesus, sugere que existem palavras que não produzem resultados positivos e não têm valor. Muitas vezes, encontramos esse tipo de discurso em arenas políticas, e essas palavras revelam mais sobre o que está no coração do que sobre a verdade que pretendem expressar.
É importante notar que Jesus não proíbe a dureza nas palavras, mas sim a falta de amor por trás delas. Ele critica a hipocrisia, mas também ensina que a severidade deve ser guiada pelo amor. A bondade não deve ser uma desculpa para ignorar a verdade. Assim, ser gentil não é um mandamento bíblico. Em vez disso, o que devemos buscar é a verdade, impulsionada pelo amor.
Jesus adverte sobre a fala ociosa, afirmando que no dia do juízo, seremos responsabilizados por cada palavra dita (Mateus 12:36). As palavras devem ser escolhidas sabiamente, e a intenção por trás delas é crucial. A questão não é apenas se as palavras são verdadeiras, mas qual é a intenção ao dizê-las. Essa reflexão é especialmente pertinente em tempos de polarização política, onde as pessoas são frequentemente levadas a expressar desprezo, em vez de amor.
O apóstolo Paulo, em Tito 3, reforça a necessidade de uma comunicação respeitosa e generosa: “Falar mal de ninguém, evitar contendas, ser gentil e mostrar toda a cortesia para com todos os homens” (Tito 3:2). Ele menciona que todos nós já fomos tolos e desobedientes, mas a bondade de Deus nos salvou.
Esse chamado à reflexão é um convite para que os cristãos não se deixem levar por palavras vazias, mas sim que busquem expressar a verdade de maneira que construa, ao invés de destruir. A verdadeira comunicação deve ser marcada pela empatia e pela busca pela justiça, sem perder de vista o valor da vida humana.
Fonte: Christianity Today.









