O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo, enfrenta um cenário complicado em sua corrida presidencial. Desde o início da campanha, ele buscava ganhar notoriedade nacional e conquistar votos, especialmente entre os eleitores de direita. Contudo, sua estratégia não está surtindo efeito, uma vez que ele não conseguiu se destacar na polarização entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).
Recentes pesquisas, como a da Quaest, mostram que Zema obteve apenas 2% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que têm 3%. Em contrapartida, a candidatura alternativa de Augusto Cury (Avante) emergiu com 8%, posicionando-se como a terceira opção viável.
Segundo o cientista político Adriano Cerqueira, professor do IBMec, a ascensão de Cury e a queda de Zema estão ligadas à mudança no cenário eleitoral. O vínculo de Zema com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e preso, limitou sua capacidade de atrair o eleitorado que antes o apoiava. A escolha de Flávio Bolsonaro como candidato da direita também complicou a situação do ex-governador mineiro.
“O eleitor de Zema em Minas Gerais preferiu Flávio Bolsonaro como primeira opção. Zema, ao criticar Flávio após a divulgação de um áudio sobre financiamento de um filme, afastou-se de sua base”, comentou Cerqueira.
A ausência de Zema no primeiro debate presidencial, realizado pela Band em agosto, foi outro fator considerado um erro estratégico. Ele justificou sua não participação pela falta de presença de Lula e Flávio, mas analistas acreditam que essa foi uma oportunidade perdida para ele se tornar mais conhecido nacionalmente.
Após o debate, Cury ganhou destaque como o principal nome da “terceira via”, o que pode afetar ainda mais as chances de Zema. Apesar de suas críticas ao STF, Zema não conseguiu atrair o eleitor de direita, já que Flávio Bolsonaro tem uma imagem mais forte nesse contexto, especialmente após seu histórico de embates com os ministros do Supremo.
Em contato com a Gazeta do Povo, a equipe de Zema confirmou a intenção do candidato de participar de futuros debates. No entanto, o próximo evento, programado para o dia 14 de setembro no SBT, foi cancelado devido à falta de confirmação de presença de Lula e Flávio.
Apesar das dificuldades, aliados de Zema afirmam que a candidatura permanece firme e que ele espera que sua visibilidade aumente conforme se aproxima o primeiro turno das eleições. Além disso, Zema pretende enfatizar sua posição como uma solução para os problemas fiscais que, segundo ele, foram herdados da administração petista em Minas Gerais.
Fonte: Gazeta Do Povo.