O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, se manifestou em defesa de André Mendonça nesta sexta-feira, 4 de setembro, frente à tentativa de Alexandre de Moraes de incluí-lo em um inquérito sobre fake news. A situação se agrava em meio a uma crise institucional na Corte, após a quebra de sigilo de mensagens entre Moraes e um empresário.
Marco Aurélio expressou preocupação com a postura de Moraes, a qual classificou como autoritária, ao buscar investigar um colega de tribunal sob sua própria relatoria. Ele enfatizou que, no sistema jurídico, a investigação deve ser realizada pela polícia, enquanto os juízes devem apenas conduzir o processo. Para Mello, Mendonça não deveria ser alvo de ataques por cumprir seu papel, refutando a ideia de que um ataque poderia ser uma defesa adequada.
A tensão entre os ministros aumentou quando Mendonça decidiu retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Essa revelação levou Mendonça a exigir uma posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), provocando a reação de Moraes, que solicitou a investigação de seu colega no que ficou conhecido como “inquérito do fim do mundo”. Apesar do clima tenso, ambos mantiveram a aparência de normalidade em sessões plenárias ao longo da semana.
Além de defender Mendonça, Marco Aurélio também comentou sobre a Operação Lava Jato e a atuação do ex-juiz Sergio Moro. Ele discordou da visão de que Moro atuou como investigador, afirmando que essa função coube ao Ministério Público, enquanto o papel do juiz foi de julgador. Mello considerou saudável a interação entre juízes e promotores, mesmo após o STF ter anulado atos de Moro devido a revelações de mensagens entre ele e procuradores.
Diante da crescente crise interna, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu retirar o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news, solicitando ao invés disso um parecer oficial da PGR. Fachin também exigiu explicações de ambos os ministros e da Polícia Federal para entender a gravidade das acusações e traçar os próximos passos na situação.
Fonte: Gazeta Do Povo.









