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EUA encerram 2026 sem acolher refugiados perseguidos por religião, revela relatório

Bandeira dos EUA e duas cruzes no topo de uma igreja Foto Canva Pro
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O governo dos Estados Unidos deve concluir o ano fiscal de 2026 sem acolher nenhum refugiado que tenha sido vítima de perseguição religiosa, uma situação sem precedentes nos últimos 25 anos. Essa paralisação no programa de reassentamento ocorre em meio a políticas restritivas na fronteira e mudanças no sistema de asilo, segundo um relatório divulgado pelas organizações humanitárias World Relief e Portas Abertas.

Os líderes das entidades que elaboraram o relatório expressaram compreensão pela necessidade de segurança nacional, mas enfatizaram que isso não pode comprometer a proteção de cidadãos vulneráveis. Myal Greene, presidente da World Relief, lamentou o fechamento da fronteira, afirmando: “Os Estados Unidos pegaram essa porta de ouro e a fecharam.”

O pastor Ara Torosian, à frente de uma igreja que atende refugiados iranianos em Los Angeles, também defendeu a importância do acolhimento, destacando: “A América sempre foi um lugar de refúgio para o povo cristão.”

A interrupção no reassentamento teve início em 2025, após um decreto do ex-presidente Donald Trump que suspendeu o programa, permitindo apenas algumas exceções. Para o ano fiscal de 2026, foi estabelecida uma cota de 7.500 vagas destinada exclusivamente a sul-africanos brancos, a maioria de origem africâner, que se consideram vítimas de discriminação racial. Embora essa cota tenha sido aumentada para 17.500 em junho, o foco permaneceu no mesmo grupo.

O relatório observa que a África do Sul não é considerada um país que restringe a liberdade religiosa, tornando improvável que as dificuldades enfrentadas por esse grupo sejam motivadas por questões de fé. Assim, conclui-se que nenhum refugiado perseguido por crenças religiosas foi admitido no país neste ano fiscal.

Desde a implementação do programa moderno de reassentamento em 1980, os EUA acolheram cerca de 3,7 milhões de pessoas, com uma média anual de 73.500 admissões. Entretanto, esse fluxo diminuiu drasticamente nos últimos anos.

Além de restringir novas entradas, o Departamento de Segurança Interna (DHS) revisou o status de cerca de 230.000 refugiados já aceitos, suspendendo a emissão de green cards. Em janeiro, foi lançada a Operação PARRIS, que visava combater fraudes e resultou na detenção de cerca de 150 refugiados em Minnesota.

A concessão de asilos também sofreu uma queda significativa. A taxa de aprovação para cidadãos oriundos de países com altos índices de perseguição religiosa despencou de 58% em 2023 para apenas 10% nos primeiros nove meses de 2026. Candidatos da Índia, Irã e China foram particularmente afetados, com taxas de aprovação caindo drasticamente.

Para evitar a violação do princípio de não repatriação, o governo dos EUA firmou acordos secretos com 35 países, resultando na deportação de mais de 21.000 solicitantes de asilo. Relatos indicam que imigrantes deportados sob essas condições enfrentaram situações críticas durante o transporte.

Fonte: Folha Gospel.