O governo iraniano tem intensificado sua presença no Brasil com o intuito de conquistar apoio local e contrabalançar a influência dos Estados Unidos. Essa estratégia envolve parcerias com políticos do PT, jornalistas e influenciadores digitais, que são convidados para eventos e viagens financiadas a Teerã, com o objetivo de divulgar a cultura iraniana e uma perspectiva geopolítica que se opõe ao que chamam de imperialismo ocidental.
A tática do Irã se fundamenta na formação de redes de influência compostas por comunicadores alinhados à esquerda e representantes políticos. Por meio de instituições como o Centro Islâmico no Brasil e a editora Arresala, o governo iraniano organiza eventos e promove viagens internacionais. Em julho de 2026, por exemplo, um grupo de brasileiros participou do funeral de uma figura importante no Irã e retornou ao Brasil com a missão de compartilhar suas experiências, apresentando uma narrativa alternativa àquela veiculada pela mídia tradicional.
Entre os políticos envolvidos, destaca-se o deputado estadual Mário Maurici, que lidera o Grupo de Amizade Brasil-Irã na Assembleia Legislativa de São Paulo. Meios de comunicação como a HispanTV Brasil se tornaram plataformas relevantes para disseminar as ideias iranianas. Durante seminários em São Paulo, logotipos de veículos como Brasil 247 e Opera Mundi foram exibidos ao lado de símbolos do Consulado Cultural do Irã, reforçando uma mensagem comum que prega o multilateralismo e critica a atuação de Israel e dos EUA.
O recente seminário realizado em São Paulo abordou temas como o fortalecimento do potencial militar do Irã e a narrativa de que os Estados Unidos estariam em declínio. Os palestrantes enfatizaram que o Irã tem conseguido colocar o governo americano “de joelhos” em diversas situações no Oriente Médio. O evento incluiu recitações do Alcorão e a participação de teólogos, como o xeique Hossein Khaliloo, além de distribuir materiais que buscam melhorar a imagem do Irã, desafiando a percepção negativa que, segundo os organizadores, é imposta pela mídia ocidental.
Os organizadores visam criar uma base de apoio sólida no Brasil, que permita ao Irã superar seu isolamento internacional. Arrecadando o apoio de influenciadores e jornalistas, a intenção é mudar a percepção do público brasileiro sobre o Irã, não mais como um vilão, mas como uma nação corajosa e resistente. Também há uma preocupação com o cenário político interno do Brasil, com sugestões de que o país deve fortalecer suas alianças internacionais para se proteger de interferências externas, especialmente em relação às novas reservas de petróleo na Amazônia.
Fonte: Gazeta Do Povo.









