As autoridades de Java Oriental, na Indonésia, decidiram suspender temporariamente as atividades da Igreja Cristã de Java Oriental (GKJW) no vilarejo de Dermo, localizado no distrito de Bangil, Pasuruan. A medida foi tomada em resposta a protestos de moradores muçulmanos, que alegam que os cultos realizados na residência da congregação poderiam gerar tensões sociais na localidade.
A suspensão das atividades, que ocorriam em uma casa de oração tradicional, destaca os desafios enfrentados por minorias religiosas na região. O conflito envolve não apenas questões relacionadas a licenças e zoneamento, mas também descontentamentos sobre a aquisição do imóvel pela igreja.
A GKJW, que abriga aproximadamente 60 famílias cristãs e possui uma história que remonta à década de 1950, passou anos utilizando um espaço da Igreja Protestante da Indonésia Ocidental (GPIB) em Bangil. Após não conseguir uma sede própria, a comunidade adquiriu o imóvel atual em Sukalipuro através de um leilão do banco BRI, depois que o antigo proprietário não pagou uma dívida.
O pastor Teguh relatou que o local começou a ser utilizado para cultos em abril de 2026, após obter autorização verbal de um regente local. Entretanto, a vizinhança, predominantemente muçulmana, se opôs ao uso do espaço para atividades religiosas, argumentando que fica muito próximo a uma sala de oração islâmica e carece de licenças apropriadas.
Investigações de grupos locais indicam que a aversão à igreja pode ter raízes em frustrações financeiras. Muhammad Muslimin, líder do grupo juvenil muçulmano Brigade Gus Dur, sugeriu que ressentimentos familiares sobre a venda do imóvel podem estar por trás dos protestos.
Genuk, uma integrante da congregação, afirmou que as objeções da comunidade se intensificaram após cultos realizados na Páscoa, mesmo com a igreja utilizando o espaço com moderação, apenas uma ou duas vezes por mês.
O chefe do distrito, Eddy Santoso, disse que o governo local tentou intermediar o conflito, promovendo sete reuniões de conciliação entre as partes desde 2023. Apesar das tentativas de diálogo, o parlamentar Najib Setiawan recomendou a suspensão dos cultos enquanto se avalia a legalidade da casa de oração.
A legislação indonésia, embora garanta a liberdade religiosa, impõe regulamentações rigorosas para a abertura de locais de culto. Para que um templo funcione, são necessárias assinaturas de pelo menos 90 fiéis, apoio formal de 60 moradores da vizinhança e recomendações do governo e de fóruns interreligiosos.
Diante da crescente oposição, o Órgão Consultivo Intereclesial de Pasuruan emitiu um documento em 28 de julho que determina a paralisação temporária dos cultos, visando evitar maiores conflitos na região.
A decisão gerou reações negativas entre defensores dos direitos civis. Arnold L. Panjaitan, presidente do Movimento da Juventude Cristã da Indonésia, expressou sua indignação e lembrou que a liberdade de crença é um direito constitucional. A Rede Islâmica Antidiscriminação de Java Oriental também criticou a suspensão, enfatizando a importância do devido processo e da harmonia social em um país que enfrenta um aumento de tendências islâmicas conservadoras.
Fonte: Folha Gospel.









