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Estratégias de Vorcaro para aumentar o apoio ao Master no governo e no Congresso

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Recentemente, a Polícia Federal (PF) divulgou um relatório da Operação Compliance Zero, que foi tornado público após a decisão do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento revela uma estrutura complexa de influência política e captura de agentes públicos, tanto em Brasília quanto em outros locais, que poderia ter implicações diretas no governo federal e no Congresso.

No foco das investigações está o senador Jaques Wagner (PT-BA), considerado um dos principais aliados e beneficiários do esquema criado pelos gestores do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, com o objetivo de proteger e expandir os negócios do conglomerado.

Wagner afirmou estar “tranquilo” e confiante de que provará sua inocência, optando por não comentar sobre detalhes da investigação por sugestão de sua defesa. O relatório da PF, que embasou a fase da Compliance Zero em que o senador é alvo, descreve um cenário onde a estrutura do governo e o processo legislativo foram supostamente utilizados para atender a interesses privados em troca de vantagens.

A PF destaca que a influência do Master se estendia além de um único gabinete no Legislativo, com outros parlamentares também sendo investigados em diferentes frentes. Mensagens recuperadas dos celulares dos envolvidos indicam que o banco buscava posicionar-se como uma entidade onipresente nas esferas de poder, demonstrando proximidade com a administração federal.

Essa percepção era explorada como uma estratégia de marketing. Vorcaro, por exemplo, fez menções em 2025 sobre quem no governo apoiaria a controversa aquisição do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Em uma conversa por aplicativo, ele mencionou figuras-chave, como Rui, que a PF acredita se referir ao ex-ministro Rui Costa (PT-BA), ao senador Jaques Wagner e a Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia.

Silveira negou qualquer conhecimento ou envolvimento em operações relacionadas ao BRB, enfatizando que a regulação do setor bancário não é de sua competência. O ex-ministro Rui Costa também foi contatado, mas não se manifestou até o momento.

Embora os nomes citados não estejam sob investigação, suas menções em conversas de Vorcaro sugerem que a equipe do Master via esses indivíduos como potenciais aliados em operações regulatórias que dependiam da aprovação de instituições como o Banco Central. Em 2025, a intenção de compra do Master pelo BRB foi bloqueada pelo BC, apenas meses antes da liquidação do banco.

A Gazeta do Povo tentou obter uma resposta do Palácio do Planalto sobre essa conexão, mas não obteve retorno.

A relação de Vorcaro e do Master com a cúpula do governo federal era vista como um ativo publicitário pelos gestores do conglomerado. Em julho de 2024, um diretor comercial enviou uma mensagem a Vorcaro, elogiando a influência que supostamente tinha sobre figuras do alto escalão, o que levou Vorcaro a sugerir que essa proximidade fosse usada como material de divulgação direcionado ao Palácio do Planalto.

Em mensagens interceptadas, Vorcaro instruiu o diretor a “mandar para Lula e para a base aliada”, destacando um canal para que a informação chegasse ao presidente e a parlamentares aliados, passando por intermediários ligados ao gabinete de Jaques Wagner.

Um dos focos da investigação que envolveu Jaques Wagner foi a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. A PF suspeita que o imóvel foi adquirido por Augusto Lima, mas destinado a Wagner. Para ocultar a verdadeira propriedade, o grupo utilizou um fluxo financeiro complexo que envolvia um fundo de investimento.

Mensagens trocadas indicam que Wagner estava diretamente envolvido na questão do apartamento, solicitando informações sobre o proprietário para formalizar reformas. Além disso, a investigação revela que o grupo também fez pagamentos diretos a empresas ligadas à família de Wagner, sem a prestação de serviços correspondentes.

Um dos registros mais relevantes foi uma transferência de R$ 3,5 milhões de uma empresa do grupo Master, que ocorreu pouco antes da liquidação do banco. Conversas mostram uma pessoa próxima a Wagner cobrando pagamentos de Augusto Lima, que por sua vez associou dificuldades financeiras à rejeição da compra do Master pelo BRB.

A PF sugere que essas interações evidenciam um circuito que pode indicar contrapartidas entre os envolvidos. A Gazeta do Povo não conseguiu contato com a defesa de Augusto Lima, e os advogados de Vorcaro não responderam aos questionamentos.

Em relação às ações que poderiam ter beneficiado o Master, Jaques Wagner é acusado de atuar como um representante do banco no Congresso, o que ele nega. Outras ações parlamentares também são investigadas, como a aprovação de uma medida provisória que favoreceu o crédito consignado, do qual o Master foi um dos principais operadores.

Além disso, a PF destaca a articulação de Wagner para incluir emendas em propostas que poderiam beneficiar o grupo. Mensagens revelam que essas emendas foram vistas como uma “catástrofe positiva” para facilitar a captação de recursos.

Por fim, a investigação sugere que Wagner e sua família utilizaram recursos do Master para custear viagens e eventos, com orientações de sigilo quanto ao uso de jatos e helicópteros. A PF destaca a utilização estratégica de um “hub financeiro” para cooptar agentes públicos, evidenciando uma consciência da ilicitude entre os investigados.

As medidas cautelares solicitadas visam rastrear a extensão da influência do Master e identificar outros membros do governo que possam ter sido envolvidos no esquema. Embora a defesa de Daniel Vorcaro ainda não tenha se manifestado, eles negam qualquer irregularidade na gestão do banco, assim como a defesa de Augusto Lima, que argumenta que as ações eram lícitas.