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Chegada repentina de 50 mil migrantes a Ceuta mobiliza Igreja e acende alerta na Espanha

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Madri, 31 jul. 2026 – Em poucas horas, cerca de 50 mil marroquinos atravessaram ilegalmente a fronteira marítima que separa Castillejos, no Marrocos, da cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. A onda inédita de chegadas levou a Diocese de Cádiz e Ceuta a ativar um plano emergencial de assistência e a destinar todas as coletas das paróquias locais deste fim de semana ao Centro de Atendimento ao Migrante São Antônio.

Em comunicado, o administrador apostólico da diocese, bispo auxiliar Ramón Valdivia, manifestou “profunda preocupação com a gravidade dos acontecimentos e a vulnerabilidade de tantos afetados”, além de colocar a Igreja à disposição das autoridades civis para suprir “quaisquer necessidades que possam surgir”. A Conferência Episcopal Espanhola reforçou, pelas redes sociais, o pedido de respeito à dignidade humana e de adoção de medidas “dentro do marco da lei vigente, evitando manipulação partidária”.

Travessia arriscada e mortes registradas

Os migrantes contornam a estrutura do quebra-mar de Tarajal, ao sul de Ceuta, nadando durante horas em mar aberto. Segundo as forças de segurança, mais de 40 corpos já foram recuperados no trecho costeiro.

Decisão judicial limita devoluções

Em 29 de junho, o Supremo Tribunal da Espanha proibiu as chamadas “devoluções a quente” para quem tenta ingressar em Ceuta ou Melilla pelo mar, alegando que, por não haver barreira física a ser ultrapassada, a prática não se enquadra na Décima Disposição Adicional da Lei de Imigração. O tribunal observou, contudo, que a regra poderia valer caso fossem instalados dispositivos de contenção no mar.

Pressão política e resposta do governo

O presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, solicitou ao governo central que decretasse estado de emergência, a fim de permitir comando unificado do primeiro-ministro Pedro Sánchez e adoção de medidas “decisivas”. O pedido foi negado. A atual chegada multiplica por mais de quatro o fluxo de maio de 2021, quando cerca de 12 mil pessoas entraram em Ceuta.

Em meio às críticas sobre a vulnerabilidade das fronteiras espanholas na África, Itália e Finlândia declararam apoio a uma proposta que removeria temporariamente a Espanha do espaço Schengen, zona europeia de livre circulação formada por 29 países.

Com informações de Gazeta do Povo