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Paraguai protesta contra fala de Lula e chama embaixador brasileiro em Assunção

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Assunção (Paraguai) – O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai convocou, nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para entregar uma nota formal de protesto contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

Em entrevista coletiva na sede da chancelaria, o ministro paraguaio Rubén Ramírez afirmou que a medida foi adotada “em defesa dos mais altos interesses do Paraguai”. Segundo ele, a dignidade nacional “não se negocia”.

Origem da controvérsia

Lula mencionou o conflito histórico na sexta-feira anterior, 24 de julho, durante visita à fabricante de armamentos Avibras, em Jacareí (SP). O presidente disse que “o Paraguai decidiu invadir o Brasil” e que a guerra, que envolveu ainda Argentina e Uruguai, durou cinco anos. A fala provocou críticas de parlamentares paraguaios e do vice-presidente Pedro Alliana, que voltou a cobrar a devolução do canhão El Cristiano, hoje exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Contato diplomático

Ramírez informou ter discutido o assunto pessoalmente com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, em 28 de julho, à margem da posse da presidente peruana Keiko Fujimori, em Lima. Após essas conversas, os presidentes Santiago Peña e Lula trataram do tema por telefone, num diálogo classificado pelo ministro como “delicado”.

A convocação do embaixador brasileiro ocorre em meio a críticas internas no Paraguai sobre uma suposta demora do governo Peña em reagir às declarações de Lula. Ramírez rebateu as acusações e declarou que a postura da chancelaria “tem sido ativa e no mais alto nível”.

Encerrando a entrevista, o chanceler destacou que a posição do governo conta com amplo apoio da população paraguaia.

Com informações de Gazeta do Povo