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Cardeal de Santiago apoia médicos que se recusam a praticar aborto e questiona projeto do “batimento cardíaco”

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Santiago, 29 jul. 2026 – O cardeal Fernando Chomali, arcebispo de Santiago e primaz do Chile, declarou apoio a profissionais de saúde que optam por não realizar abortos e manifestou reservas ao projeto de lei “Escute Seu Coração”, em análise no Congresso chileno.

A proposta altera o Código de Saúde para obrigar o médico a informar a gestante sobre a atividade cardíaca do embrião ou feto e oferecer a oportunidade de ouvir os batimentos antes da interrupção da gravidez – procedimento autorizado no país apenas em três situações: risco de vida materna, inviabilidade fetal e gravidez resultante de estupro.

Declarações ao jornal La Tercera

Em entrevista publicada pelo diário chileno, Chomali lamentou que “existam médicos que concordam em realizar um aborto” e disse sentir “dor” por ter gerado divisão após publicar, em rede social, que toda mãe deveria se alegrar ao ouvir o coração do filho. O cardeal reiterou ser contrário ao aborto em qualquer circunstância e disse preferir “ficar sozinho” a “trair a verdade” sobre a vida do nascituro.

Crítica ao papel do médico

Para o arcebispo, profissionais de saúde juram “curar e nunca causar dano” e, portanto, deveriam ouvir eles mesmos o batimento cardíaco “antes de concordar” com o procedimento. “Objetivamente, alguém está sendo prejudicado: um ser humano”, afirmou.

Revisão das leis

Chomali defendeu que as normas sobre aborto sejam reexaminadas a qualquer momento, alegando possibilidade de aprimoramento. Ele ressaltou que, com suporte médico, psicológico, espiritual e financeiro, muitas mulheres acabam decidindo manter a gestação.

Entrevista à Rádio Duna

Em outra declaração, o cardeal considerou o “Escute Seu Coração” “apenas um projeto entre muitos” e disse que o tema deve ser resolvido no Legislativo. Segundo ele, oferecer à mulher a opção de ouvir o batimento é aceitável, mas torná-lo obrigatório “merece debate”. Chomali pediu prudência e criticou linguagem que “apenas polariza”.

O projeto segue em tramitação no Congresso chileno e ainda não há data para votação final.

Com informações de Gazeta do Povo