Brasília – O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou, nesta terça-feira (28), que o presidente da Argentina, Javier Milei, “foi até muito educado” ao se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”. A declaração ocorreu em entrevista ao canal argentino LN+.
Eduardo também acusou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de interferir na eleição presidencial argentina de 2023. Segundo ele, o Palácio do Planalto teria articulado a liberação de um empréstimo de US$ 1 bilhão do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) para favorecer o então candidato peronista e ministro da Economia, Sergio Massa.
“O errado aconteceu quando Lula conseguiu US$ 1 bilhão para ajudar Massa e enviou assessores brasileiros para a campanha. Isso, sim, é interferência”, afirmou o ex-parlamentar. Ele citou a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet, que, na época, negou ingerência do presidente e disse que a aprovação do financiamento contou com apoio de outros países.
Falas de Milei em convenção do PL
As críticas de Milei a Moraes foram proferidas no sábado (25), durante convenção do Partido Liberal em São Paulo, evento que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República em 2026. Na ocasião, o chefe do Executivo argentino também chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e disse que o petista espalha o socialismo pela América Latina.
Acusações contra Moraes
Questionado se concordava com Milei, Eduardo Bolsonaro respondeu que o presidente argentino “foi muito suave”. Ele responsabilizou Moraes pela morte do detento Cleriston Pereira da Cunha, o “Clezão”, vítima de infarto em novembro de 2023 no Complexo da Papuda, em Brasília, e reclamou de bloqueio de contas bancárias de sua esposa e de suposto impedimento para que sua filha, de cinco anos, pudesse viajar. Detalhes sobre essas restrições não foram esclarecidos.
Condenação no Brasil e permanência nos EUA
Condenado pelo STF no mês passado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, Eduardo Bolsonaro alega ser alvo de perseguição política e permanece nos Estados Unidos desde 2025. Na semana passada, recebeu o green card, que lhe garante residência por tempo indeterminado no país.
A Presidência da República e o Supremo Tribunal Federal foram procurados para comentar as declarações do ex-deputado, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso haja resposta.
Com informações de Gazeta do Povo