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Brasil veta delegação dos EUA que avaliaria urnas eletrônicas e decisão repercute na imprensa internacional

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Brasília — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou vistos de entrada a dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar o país para tratar da integridade do sistema eleitoral brasileiro. A recusa, confirmada nesta sábado (25), foi divulgada primeiro pelo jornal The Washington Post e rapidamente ecoou em veículos como The New York Times, Financial Times, The Guardian e agência Bloomberg.

Os pedidos de visto foram apresentados por Riley Barnes, subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do mesmo departamento. A dupla pretendia reunir-se com autoridades eleitorais antes do início oficial das campanhas para as eleições presidenciais de 4 de outubro de 2026.

Segundo o The New York Times, Brasília temia que a missão pudesse “semear dúvidas” sobre a segurança das urnas eletrônicas. Fontes citadas pela Bloomberg afirmaram que integrantes do alto escalão do governo enxergaram a iniciativa como tentativa de interferência externa no pleito.

Escalada de tensões

A negativa de vistos ocorre em meio a semanas de atrito diplomático entre Brasília e Washington, marcadas por um recente aumento tarifário imposto pelos EUA a produtos brasileiros e por divergências sobre o combate ao crime organizado.

Durante evento que oficializou Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo de São Paulo, Lula reforçou a posição do Planalto: “Quem de fora quiser se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”. A declaração foi interpretada como recado direto à missão norte-americana bloqueada.

Suposta ligação com bolsonaristas

De acordo com o Financial Times, um funcionário brasileiro que pediu anonimato disse que havia suspeitas de que a visita serviria para “disseminar desinformação” sobre o processo de votação, possivelmente em coordenação com Flávio e Eduardo Bolsonaro. Ambos têm questionado publicamente a confiabilidade das urnas eletrônicas. A repercussão do veto acabou ofuscando o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado, ato que contou com a presença do presidente argentino Javier Milei.

Autoridades norte-americanas não comentaram publicamente a decisão brasileira até o momento.

Com informações de Gazeta do Povo