Washington (EUA) – O total de abortos realizados nos Estados Unidos voltou a crescer, mesmo com a redução de viagens interestaduais para a realização do procedimento. É o que mostra um estudo divulgado nesta semana pelo Guttmacher Institute, entidade que coleta dados sobre aborto no país.
Números em alta
De acordo com o instituto, 296.130 abortos foram registrados no primeiro trimestre de 2026, contra 292.590 no mesmo período de 2025 – avanço de pouco mais de 1%. A série histórica é acompanhada mensalmente desde 2023.
O pesquisador Michael New, do Charlotte Lozier Institute, destacou que o aumento tem recebido pouca atenção da grande mídia. Segundo ele, a elevação coincide com a expansão do acesso a pílulas abortivas obtidas por telessaúde e enviadas pelo correio.
Menos deslocamentos, mais encomendas
Entre 2024 e 2025, o número de mulheres que cruzaram fronteiras estaduais para abortar caiu quase 8%. Pesquisadores atribuem a queda à popularização dos abortos químicos remotos. Dados da Society for Family Planning indicam que cerca de 27% dos procedimentos no país já são feitos por telessaúde.
No Sul, as mudanças legais também alteraram fluxos de viagem. A Flórida, que aprovou em 2024 a chamada “lei do batimento cardíaco”, viu o número de residentes que se deslocam internamente quase triplicar, enquanto menos pessoas de outros estados procuraram clínicas locais. No Texas, a saída de texanas para abortar em outras regiões recuou 19% no mesmo intervalo.
Pressão sobre a administração federal
Ativistas pró-vida atribuem a expansão dos abortos químicos a uma suposta falta de fiscalização federal, citando dispositivos como a Lei Comstock, que proíbe o envio de substâncias abortivas pelo correio. Eles cobram um padrão nacional que limite o procedimento em todos os estados.
Kelsey Pritchard, porta-voz da Susan B. Anthony Pro-Life America, calcula que os abortos químicos possam chegar a 1,1 milhão por ano, com cerca de 15 mil ocorrendo mensalmente em estados com legislações restritivas. Já Kristi Hamrick, da Students for Life, questiona a precisão dos números, lembrando que o país não possui um sistema federal obrigatório de notificação de abortos.
O próprio Guttmacher reconhece dificuldade para estimar os casos realizados apenas com medicamentos enviados à distância, já que parte das operações ocorre fora da rede formal de saúde.
Com informações de Gazeta do Povo