Kyiv, 23 de julho de 2026 – O governo da Ucrânia passou a reconsiderar o plano de paz apresentado em 2024 por Brasil e China na tentativa de encerrar o conflito com a Rússia, informou o diplomata ucraniano Heorhii Tykhyi.
O que motivou a mudança
Segundo Tykhyi, a nova postura surge após dois anos de guerra de atrito sem avanços militares significativos para nenhum dos lados. O presidente Volodymyr Zelensky, que antes rejeitava qualquer proposta que não incluísse a devolução imediata dos territórios ocupados, agora aceita discutir um cessar-fogo baseado na atual linha de frente, apostando em negociações futuras para reaver as áreas sob controle russo.
Papel de Lula e Xi Jinping
Autoridades ucranianas veem no presidente Lula um canal de comunicação direto com o líder russo Vladimir Putin. A ideia é que Lula, ao lado do presidente chinês Xi Jinping, funcione como mensageiro de propostas de cessar-fogo ao Kremlin, que até aqui reluta em negociar por acreditar ser possível obter novos ganhos territoriais.
Seis diretrizes do plano de 2024
A iniciativa sino-brasileira se apoia em seis pontos principais:
- Congelar a expansão do campo de batalha;
- Retomar o diálogo direto entre Kyiv e Moscou;
- Ampliar a assistência humanitária e promover trocas de prisioneiros;
- Rejeitar o uso de armas nucleares ou químicas;
- Garantir a segurança de usinas nucleares;
- Reforçar a cooperação econômica global para evitar a formação de blocos isolados.
Agenda ucraniana para a América Latina
Além da busca pela paz, Kyiv pretende fortalecer laços políticos e comerciais na região. O plano prevê a abertura de seis novas embaixadas até 2028, dobrando a presença diplomática ucraniana na América Latina. A Ucrânia também procura parceiros para desenvolver drones militares e para contratos de reconstrução bilionários, oferecendo tecnologias testadas em combate.
Relações Brasília–Kyiv em ascensão
Depois de um início de mandato frio, o diálogo entre Brasil e Ucrânia ganhou impulso em junho deste ano, quando Zelensky e Lula se encontraram durante a cúpula do G7. Kyiv já iniciou o processo de escolha de um novo embaixador para Brasília com o objetivo de elevar o patamar das conversas e garantir a imagem do Brasil como mediador neutro.
Com a reavaliação do plano sino-brasileiro, a Ucrânia sinaliza disposição para explorar todos os caminhos diplomáticos que possam encerrar o conflito iniciado em 2022.
Com informações de Gazeta do Povo