Dois líderes da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) pediram responsabilização, transparência e justiça depois de recentes operações de fiscalização que terminaram com a morte de migrantes detidos por autoridades federais.
Em reflexão pastoral divulgada em 21 de julho, Dom Daniel E. García, presidente do Subcomitê para Promoção da Justiça Racial e Reconciliação, e Dom Brendan J. Cahill, presidente do Comitê sobre Migração, lamentaram “todas as situações em que a vida humana é levada a um fim não natural”.
Os bispos citaram dois episódios: em 7 de julho, em Houston, um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) matou a tiros o mexicano Lorenzo Salgado Araújo; e em 13 de julho, no Maine, o colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero morreu após ser baleado por um agente federal. Em ambos os casos, o governo norte-americano alegou legítima defesa.
García e Cahill recordaram nota da USCCB de novembro de 2025 que já demonstrava preocupação com o “clima de medo e ansiedade” causado pela discriminação e pela forma como a fiscalização migratória vinha sendo conduzida. “A discriminação racial viola a dignidade dada por Deus, fomenta o medo, corrói a confiança e aumenta o risco de resultados trágicos”, afirmaram.
No texto, os prelados advertiram que a desumanização de imigrantes e a difamação de agentes da lei não podem ser normalizadas. Para eles, a aplicação das normas deve respeitar os direitos humanos fundamentais e obedecer aos limites da lei moral.
Os religiosos também conclamaram a uma reforma “significativa” no sistema de imigração dos Estados Unidos e elevaram preces “pelas almas dos mortos, por suas famílias, pela nação e por todos os que exercem funções públicas”.
O apelo dos bispos chega após relatório da Human Rights Watch, divulgado em 25 de junho, que contabilizou 52 mortes de detidos pelo ICE desde o início do governo do presidente Donald Trump, citando más condições de custódia e falta de atendimento médico. A esse número somou-se, em 13 de julho, o óbito do venezuelano Jesús Manuel Arias-Silva, de 45 anos, ocorrido durante transferência entre centros de detenção na Geórgia, segundo comunicado do ICE.
Com informações de Gazeta do Povo