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Nome de Michel Temer volta ao debate, mas analistas veem força maior nos bastidores que nas urnas

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Às vésperas das convenções partidárias de 2026, o ex-presidente Michel Temer (MDB) voltou a ser citado como possível candidato ao Palácio do Planalto. Especialistas consultados, porém, avaliam que o emedebista tende a exercer influência principalmente como articulador político, e não como cabeça de chapa.

Documentário reacende especulações

O lançamento do filme 963 Dias, que relembra o período de Temer no governo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), estimulou aliados a defender publicamente seu retorno à disputa presidencial. A produção destaca reformas econômicas aprovadas entre 2016 e 2018 e a relação do então presidente com o Congresso Nacional.

Resistência do próprio ex-presidente

Apesar do movimento interno, Temer tem mostrado resistência. Em vez de anunciar pré-candidatura, ele apresentou o documento “Estrada para o Futuro”, elaborado com ex-ministros e colaboradores, para servir de base a programas de governo dos postulantes ao Planalto.

Análise: capital político x capital eleitoral

Para o cientista político Elias Tavares, a lembrança de Temer indica que parte da classe política ainda valoriza sua capacidade de negociação em um cenário de fragmentação partidária. Já Alexandre Bandeira, professor da ESPM, pondera que essa influência não se converte, necessariamente, em potencial de votos: “Temer tornou-se um político técnico, mais identificado com articulação do que com campanhas de massa”.

MDB dividido

Ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun afirma ser “entusiasta” da candidatura, alegando falta de opção de centro. Ele admite, contudo, que o principal obstáculo é a própria recusa de Temer. Sem consenso, a sigla cogita liberar filiados para apoiarem nomes diferentes na eleição.

Polarização dificulta terceira via

Os analistas concordam que qualquer projeto centrista enfrenta o desafio da polarização entre direita e esquerda. A proximidade institucional de Temer com o Supremo Tribunal Federal, reforçada pela presença do ministro Alexandre de Moraes na pré-estreia do documentário, também pode limitar a adesão de segmentos mais à direita.

Com a aproximação das convenções, aliados mantêm a pressão por uma candidatura, mas o cenário dominante indica que o ex-presidente deverá atuar nos bastidores, negociando alianças e oferecendo propostas programáticas, sem colocar seu nome na urna.

Com informações de Gazeta do Povo