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Senado aprova MP do Frete com anistia a multas e impõe desafio político ao Planalto

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Brasília – O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (17/07/2026) a Medida Provisória do Frete, que fixa pisos mínimos para o transporte rodoviário de cargas e inclui a anistia das multas aplicadas a caminhoneiros que bloquearam rodovias após as eleições de 2022.

Principais pontos da MP

A nova legislação determina que a tabela de frete seja revista a cada seis meses ou sempre que o preço do óleo diesel acumular alta superior a 5%. O objetivo é assegurar que o valor pago cubra despesas básicas dos transportadores, como combustível, pedágios e manutenção dos veículos.

Multas para quem pagar abaixo do piso

Empresas e transportadoras que contratarem fretes por valores menores que os definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ficarão sujeitas a sanções administrativas que variam de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, de acordo com o porte da companhia e a reincidência da infração.

Anistia gera impasse

O trecho mais controverso do texto perdoa as punições impostas aos manifestantes que fecharam estradas após o pleito presidencial de 2022. Para defensores da medida, as multas representaram perseguição política; já o governo alega que o perdão fere o Estado de Direito e enfraquece a atuação das forças de segurança.

Estratégia do governo

No Palácio do Planalto, a indicação é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o dispositivo da anistia. O gesto, porém, carrega risco político: ao barrar o perdão, o governo pode ampliar o distanciamento com uma categoria tradicionalmente alinhada à oposição; se sancionar, abre mão de punições consideradas essenciais para manter a ordem nas rodovias.

Reação do setor produtivo

Entidades do agronegócio classificam a fixação de preços mínimos como intervenção excessiva na economia e defendem que o mercado, e não o Estado, deve determinar o valor do frete. Empresas de transporte, por sua vez, alertam para a insegurança jurídica provocada pelas multas elevadas.

A aprovação da MP evitou, por ora, uma greve anunciada por caminhoneiros, mas deixa o governo diante de uma escolha delicada entre agradar à categoria e preservar o discurso de respeito às instituições.

Com informações de Gazeta do Povo