A Novo Nordisk suspendeu temporariamente a operação da NovoCare Farmácia, plataforma que permitia a venda direta de medicamentos ao consumidor final. A medida, anunciada nesta quarta-feira (16), faz com que as transações voltem a depender do varejo farmacêutico, considerado “parceiro estratégico” pela companhia.
Em nota, a fabricante das canetas Wegovy e Ozempic informou que pretende desenvolver um modelo mais integrado às farmácias enquanto acompanha “a evolução do cenário da saúde” e busca inovações que melhorem a experiência do paciente. Segundo a empresa dinamarquesa, o compromisso com a ampliação do acesso a tratamentos para doenças crônicas graves, como obesidade e diabetes, permanece inalterado e em conformidade com as normas locais.
Venda direta ainda esbarra em regras da Anvisa
O formato D2C (direct to consumer) tem atraído indústrias farmacêuticas em razão do crescimento do comércio eletrônico. No Brasil, entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém restrições e estuda regulamentar a oferta de medicamentos em marketplaces, a exemplo do Mercado Livre.
A NovoCare Farmácia operava por meio de parceria com a distribuidora AS Medicamentos. Apesar da suspensão no país, a Novo Nordisk avança em outros mercados: no México, a companhia abriu uma loja oficial no Mercado Livre, iniciativa que, segundo a empresa, atende às particularidades regulatórias locais.
Avanços na Europa e novos formatos de dose
Também nesta quarta-feira (15), a Comissão Europeia aprovou a primeira versão em comprimido do Wegovy, ampliando o leque de apresentações do medicamento à base de semaglutida. As canetas de semaglutida imitam o hormônio GLP-1, estimulam a produção de insulina e retardam o esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade e favorece a perda de peso.
Concorrência e falsificações
Outro medicamento em destaque é o Mounjaro, cujo princípio ativo, a tirzepatida, combina a ação de GLP-1 e GIP, oferecendo efeito mais potente. Tanto a semaglutida quanto a tirzepatida dependem de prescrição médica e enfrentam aumento de falsificações, fato que mobiliza operações policiais em diferentes regiões do país.
Por enquanto, a Novo Nordisk não definiu prazo para retomar a venda direta de seus produtos no Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo